MDB racha centro-direita em Santa Catarina

Partido rompe com Jorginho Mello após perder vaga de vice

Por Gabriela Gallo

Movimentos de Jorginho Mello racham conservadores catarinenses

Após uma série de desentendimentos internos provocados pela migração do ex-vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) para concorrer a uma vaga de senador por Santa Catarina, os grupos de centro e direita no estado racharam.

Para acomodar Carlos Bolsonaro na sua chapa, o governador Jorginho Mello (PL), que é candidato à reeleição, teve que fazer uma série de concessões. Como, porém, as vagas são limitadas, o governador não está conseguindo manter a aliança que imaginava inicialmente. O último movimento resultado na saída do MDB do governo local, com a possibilidade de apresentar uma candidatura alternativa.

No começo desta semana, o MDB catarinense se reuniu e comunicou que o partido deixará o governo local e que lançará uma chapa para concorrer contra a reeleição de Jorginho Mello.

Inicialmente, o governador tinha definido que seu vice na chapa para o governo do estado seria o então secretário de Agricultura e deputado federal licenciado Carlos Chiodini, que é o terceiro vice-presidente do MDB.

Contudo, após Mello comunicar que seu vice de chapa na pré-candidatura a reeleição será o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como adiantou o Correio da Manhã, o Movimento Democrático Brasileiro optou pela saída do governo. O partido também não fora comunicado pelo governador da escolha de trocar a chapa.

Apesar de ainda não ter uma chapa definida para o governo catarinense, vale destacar que o MDB é o único partido com representantes em todos os 295 municípios de Santa Catarina.

Entenda

Inicialmente, a articulação era que Jorginho Mello concorresse para sua reeleição ao governo de Santa Catarina e lançasse o senador Espiridião Amin (PP-SC) e a deputada federal Caroline De Toni (PL-SC) como seus companheiros de chapa para o Senado.

Contudo, após o nome de Carlos Bolsonaro aparecer como uma alternativa, o governador recalculou sua estratégia e cogitou lançar para o Senado Espiridião Amin e Carlos Bolsonaro, excluindo Caroline De Toni. Acontece, porém, que De Toni lidera as pesquisas de intenção de voto. E conta com o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Um último levantamento da Neokemp Pesquisas, divulgado em dezembro de 2025, apontou De Toni como a candidata ao Senado com maior intenção de voto, seguida de Carlos e Esperidião Amin.

Com a possibilidade de não concorrer ao Senado, a deputada federal informou que sairia do PL para se aliar ao partido Novo e concorrer para a vaga no Senado pela sigla. Para não perder a aliada, Jorginho Mello realizou uma reunião com o Partido Novo na semana passada e definiu Adriano Silva – que inicialmente era contrário a candidatura de Carlos Bolsonaro, mas depois voltou atrás – como seu vice na chapa para a reeleição. Com isso, seus candidatos ao Senado são Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni. Portanto, além do rompimento com o MDB, o senador Esperidião Amin também ficou de escanteio.

Rompimento

Ao Correio da Manhã, o mestre em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Renato Ribeiro de Almeida avaliou que esse desentendimento entre as lideranças catarinenses ilustram o “atual processo de reorganização do campo político situado à direita” no país.

“Até recentemente esse espectro esteve fortemente associado à liderança do ex-presidente Jair Bolsonaro, que hoje enfrenta restrições judiciais e limitações à sua atuação política. Na ausência de um sucessor nacional claramente consolidado, observa-se a ascensão de múltiplas lideranças, especialmente regionais, ainda sem convergência em torno de um nome que exerça papel de coordenação nacional”, disse o especialista.

A reportagem ainda conversou com o cientista político Isaac Jordão, que detalhou que, na atual conjuntura, “o bolsonarismo está tentando emplacar posições-chave em cargos federais e para isso eles estão se distribuindo ao longo do território, pegando estados que são propensos a votar neles”.

Jordão ainda reiterou que “esse racha vai se reproduzir principalmente nos estados onde o bolsonarismo é muito forte”.

“Existe uma dificuldade da direita hoje de se desvincilhar do bolsonarismo. Eles acreditam que não é possível ter votos suficientes para se eleger abrindo mão dos votos do público abertamente bolsonarista”, disse o analista político ao Correio da Manhã. “Santa Catarina é só o exemplo mais claro do fenômeno que vai se repetir bastante até junho, quando as chapas que vão concorrer tiverem que estar definidas”, ele completou.

Contudo, o especialista em Direito Eleitoral Renato Ribeiro ponderou que a situação “é um processo natural de recomposição partidária, no qual também ganham protagonismo legendas de centro”, não necessariamente alinhadas ao bolsonarismo.

“Nesse contexto, partidos como o MDB podem optar tanto por lançar candidaturas próprias quanto, em determinados cenários, apoiar projetos mais próximos do governo federal, conforme suas estratégias regionais e a leitura do ambiente político local, afirmou Ribeiro.