CNN noticia motivo, antecipado pelo Correio, da saída de Lewandowski do MJ

No dia 7, Correio revelou que ministro deixou o cargo temendo desgaste com eventual citação, em inquérito da PF, de consultoria que ele prestou ao Banco Master

Por Jorge Vasconcellos

Ricardo Lewandowski

Com grande destaque, a CNN Brasil noticiou, nesta terça-feira (27), uma informação que já havia sido antecipada pelo Correio no último dia 7: a de que Ricardo Lewandowski se apressou em deixar o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) por temer que seu nome viesse a ser citado nas investigações sobre o escândalo do Banco Master, liquidado em novembro pelo Banco Central.

Conforme a matéria do Correio, fontes ligadas ao governo disseram que o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) estava em situação desconfortável por temer que uma consultoria prestada por ele ao banco de Daniel Vorcaro poderia vir a ser citada no inquérito da Polícia Federal, que é subordinada ao próprio MJSP.

Hoje, a CNN Brasil destacou esse mesmo desconforto do ex-ministro. Foi durante uma matéria sobre a descoberta de um novo elo entre Lewandowski e o Master: seu escritório de advocacia recebeu R$ 5 milhões do Banco Master para prestação de serviços de consultoria jurídica. O contrato foi mantido mesmo depois que ele assumiu o cargo de ministro da Justiça, em fevereiro de 2024.

“A leitura de integrantes do governo é que ele [Lewandowski] se antecipou a essa notícia e pediu demissão, ali no começo do ano, justamente para a notícia não ganhar ainda mais espaço no noticiário, porque, se ele ainda fosse ministro, isso teria outro peso”, diz a matéria da CNN.

“Isso teria outro peso do ponto de vista político e também seria ainda mais explorado pela oposição. Portanto, os bastidores traíram o sentimento ares de que o ministro deixou o Ministério da Justiça no começo do ano, justamente para evitar o desgaste ainda maior com a notícia do contrato da família dele com o Banco Master”, prossegue a emissora.

A informação sobre o contrato foi divulgada pela colunista Andreza Matais, do portal "Metrópoles". Segundo a reportagem, Lewandowski firmou um contrato com o banco de Daniel Vorcaro por indicação do senador Jaques Wagner (PT-BA).

De acordo com a coluna, o contrato entre o escritório do ex-ministro e o Master tinha o valor de R$ 250 mil mensais, e foi assinado em 28 de agosto de 2023. Os pagamentos prosseguiram até setembro de 2025, mais de um ano e seis meses após Lewandowski assumir a pasta, em fevereiro de 2024.

Em nota, a assessoria de Lewandowski confirmou a prestação de serviços ao Banco Master depois que ele deixou o STF em abril de 2023. Mas, diz que o ministro parou de atuar nos casos relacionados ao escritório após assumir o cargo no governo Lula (PT).

"O ministro Ricardo Lewandowski, depois de deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), em abril de 2023, retornou às atividades de advocacia. Além de vários outros clientes, prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master", diz a nota.

"Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça de Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos", completa o comunicado.