Nikolas chega a Brasília com colete á prova de balas

Caminhada de 230 km pede a libertação de Jair Bolsonaro

Por Gabriela Gallo

Caminhada de Nikolas Fereira somou 230 km

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) chegou a Brasília ao final da caminhada 230 km pela libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro usando um colete á prova de balas. A razão do cuidado teria sido o recebimento, segundo sua assessoria de ameaças de morte.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes proibiu manifestações em frente ao Complexo Penitenciário da Papuda. Bolsonaro está preso em uma das áreas do complexo, conhecida como Papudinha, sede do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF);

Como precaução, o Palacio do Planalto instalou cercas de proteção em frente ao prédio. O mesmo cuidado, porém, foi dispensado pelo presidente da Cãmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que disse ter conversado na véspera com Nikolas Ferreira e descartou a necessidade. “Não há chance de novo 8 de janeiro”, declarou Hugo Motta.

De fato, as manifestações ao final da caminhada foram marcadas para a Praça do Cruzeiro, local que fica distante mais de 5 km da Praça dos Três Poderes e a mais de 6 km da Papudinha. O ato na Praça do Cruzeiro, em um domingo chuvoso em Brasília, começou ás 12h. Principais nomes do bolsonarismo, nem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, nem a esposa de Bolsonaro, Michelle, que deve se candidatar ao Senado pelo DF, participaram do ato.

A passeata foi um protesto contra a prisão de Jair Bolsonaro e manifestação favorável pela anistia dos presos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. A caminhada, que começou na última segunda-feira (19), partiu de Paracatu (MG) em direção a Brasília, totalizando 230 quilômetros. Além de Nikolas Ferreira, outras figuras políticas presentes no ato foram o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) – único do clã Bolsonaro que participou do ato – e os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO), Zé Trovão (PL-SC), André Fernandes (PL-CE) e Carlos Jordy (PL-RJ).

Papuda

Na sexta-feira (23), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes publicou uma decisão na qual o magistrado acolhe a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e proíbe manifestações e acampamentos em frente ou nas proximidades do Complexo Penitenciário da Papuda, incluindo o Núcleo de Custódia da Polícia Militar (NCPM), conhecido como “Papudinha” – onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está preso.

A decisão está voltada para qualquer pessoa que possa estar “participando de possível prática criminosa ou de quaisquer atos que possam colocar em risco a segurança do estabelecimento prisional”.

Além disso, o magistrado declara que “ante a resistência de indivíduos que, mesmo após intimados, insistirem em permanecer na via pública em manifestação de oposição à ordem”, eles podem ser presos em flagrante.

“A tentativa de golpe do dia 8/1/2023 teve como um dos fatores principais a omissão de diversas autoridades públicas, que permitiram os ilegais acampamentos golpistas em frente aos quartéis do Exército”, justificou o ministro.

“Na hipótese sob exame, evidencia-se risco concreto à ordem pública, em especial diante do estabelecimento prisional referido custodiar pessoas condenadas por fatos diretamente relacionados à atuação de movimentos que, no passado recente, resultaram em episódios de descontrole institucional e radicalização política, como os ocorridos em 8 de janeiro de 2023. A permanência e aglomeração de indivíduos em frente a estabelecimento prisional revela-se potencialmente deletéria à tranquilidade social e à própria regularidade do processo penal em curso”, completou o magistrado.