Itália adia novamente extradição de Zambelli

Defesa da brasileira entrará com pedido de troca de juízes do caso, alegando parcialidade

Por Gabriela Gallo

Advogados questionam parcialidade da Corte italiana

A Corte de Apelação de Roma, na Itália, adiou novamente a decisão sobre o processo de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa desde julho de 2025, de volta para o Brasil. Inicialmente o processo estava previsto para ser encerrado nesta terça-feira (20). Ainda não foi firmada uma nova data para a retomada do julgamento, mas a expectativa é que ocorra em fevereiro.

Esta é a terceira vez que a Corte italiana adia o julgamento de Zambelli. Primeiro, a Justiça iria julgar o processo da brasileira em novembro, mas os advogados dela aderiram a uma greve de advogados italianos na época. Depois, em 18 de dezembro, a sessão foi adiada a pedido dos advogados de defesa da detenta, que solicitaram mais tempo para analisar o processo e documentos oriundos do Brasil.

Defesa

Antes da sessão ser adiada, a defesa de Zambelli, composta por advogados italianos, manifestou que apresentará um pedido solicitando a troca dos juízes responsáveis pelo caso no colegiado. Eles têm até esta sexta-feira (23) para oficializar o pedido por escrito.

De acordo com a defesa, os magistrados envolvidos no processo judicial não reuniriam as condições necessárias de imparcialidade para julgar o processo. Os advogados citaram, por exemplo, que somente receberam os documentos relacionados ao processo judicial na véspera do julgamento. Caso o pedido seja aceito, o julgamento começará a tramitar do zero.

Riscos na Colmeia

Dentre os argumentos da defesa da detenta ainda reforça o argumento de que a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, apresenta riscos para a saúde, a integridade física e segurança de Zambelli.

Dentre um dos argumentos, enquanto era parlamentar, ela foi uma das coautoras do Projeto de lei 3492/2019, conhecido como “Lei Rhuan Maycon”, que cria novos tipos penais como o homicídio para imposição de ideologia de gênero. O PL, que aguarda tramitação na Câmara dos Deputados, foi criado após o caso do assassinato do menino de 9 anos Rhuan Maycon, morto pela mãe e a companheira da mãe no Distrito Federal. E como ambas estão presas na Colmeia, a defesa argumenta que é um risco ela ir para o presídio.

O governo do Brasil, por outro lado, encaminhou uma documentação apontando as condições das detentas brasileiras e reiterou que as presas são separadas em blocos distintos, que não misturam a convivência entre internas de regimes diversos. Ou seja, não teria risco da ex-deputada ter convivência com a mãe de Rhuan.

Condenações

Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão por ser a mandante de uma invasão no sistema interno do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para emitir um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, documento falso que era supostamente “assinado” pelo próprio Moraes. A invasão foi realizada pela hacker Walter Delgatti Neto, conhecido como o “hacker de Araraquara”. Segundo delação de Delgatti Neto, Zambelli o contratou por R$ 40 mil para entrar ilegalmente no sistema e emitir o documento falso. Ambos foram condenados, por unanimidade, pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica.

Além disso, a Suprema Corte também a condenou por mais cinco anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal após ela perseguir um homem com uma arma de fogo na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

Ao ser condenada pela invasão do CNJ, Zambelli fugiu para a Itália na intenção de escapar da condenação, acreditando que estaria protegida do Judiciário brasileiro por ter cidadania italiana.
Porém, a Justiça brasileira acionou o nome da ex-deputada na lista de procurados da Interpol e ela foi presa em Roma. Na Itália a invasão de um sistema do poder Judiciário também é considerado crime. Diante disso, apesar de ainda não ter saído uma decisão oficial, o Palácio do Itamaraty avalia que Carla Zambelli deve ser extraditada para o Brasil.