Políticos e parentes despedem-se de Raul Jungmann

Trajetória de ex-ministro passou da reforma agrária à segurança pública

Por Beatriz Matos

Jungmann foi ministro de FHC e Michel Temer

A morte de Raul Jungmann, no último domingo (18), encerrou uma trajetória de mais de cinco décadas dedicadas à vida pública brasileira. O ex-ministro foi velado e cremado na segunda-feira (19), no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, em Brasília, em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.

Pernambucano, Jungmann atuou como vereador, deputado federal e ministro em diferentes governos, com passagens centrais por áreas sensíveis do Estado, como a reforma agrária, a defesa e a segurança pública. Ele morreu aos 73 anos, em Brasília, em decorrência de um câncer no pâncreas.

Internado no Hospital DF Star desde novembro de 2025, Jungmann chegou a receber alta em dezembro, mas voltou a ser hospitalizado no fim do ano e, novamente, no sábado (17).

Congresso e ministérios

Natural do Recife (PE), Raul Jungmann iniciou sua trajetória política ainda no âmbito estadual e municipal, até alcançar projeção nacional.

Foi vereador da capital pernambucana entre 2013 e 2014 e exerceu três mandatos como deputado federal por Pernambuco (2003–2010 e 2015–2016). Na Câmara dos Deputados, integrou comissões estratégicas e foi vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, que investigou um esquema de fraudes na compra de ambulâncias.

Também teve atuação de destaque no referendo de 2005 sobre a comercialização de armas de fogo, como um dos líderes da Frente Brasil Sem Armas. Na legislatura iniciada em 2015, posicionou-se na oposição ao governo Dilma Rousseff e defendeu o impeachment da então presidente.

No Executivo federal, Jungmann comandou o Ministério do Desenvolvimento Agrário entre 1999 e 2002, no governo de Fernando Henrique Cardoso, período marcado por debates estruturais sobre políticas fundiárias e reforma agrária. Anos depois, foi ministro da Defesa entre 2016 e 2018 e, em 2018, tornou-se o primeiro titular do Ministério da Segurança Pública, durante o governo de Michel Temer.

À frente da Defesa e da Segurança Pública, coordenou ações amparadas por decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autorizaram o emprego das Forças Armadas em estados afetados por crises na segurança.

Setor mineral

A última função pública de Raul Jungmann foi como diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), cargo que ocupava desde março de 2022. No posto, destacou-se como uma das principais vozes na defesa do potencial brasileiro em minerais críticos e estratégicos, associando o setor mineral à agenda da transição energética.

Em nota, o Ibram afirmou que Jungmann será lembrado pela “competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética” deixado ao longo de sua trajetória.

Repercussão

A morte de Jungmann gerou manifestações de autoridades dos Três Poderes e de diferentes correntes políticas. O ex-presidente Michel Temer afirmou que ele foi “um brasileiro que soube servir ao país”. No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes destacou sua “rara integridade e densidade republicana”, enquanto Alexandre de Moraes ressaltou a atuação conjunta na coordenação da segurança das Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Ministros de Estado, parlamentares e dirigentes partidários também lamentaram a perda, ressaltando o perfil institucional e a capacidade de diálogo do ex-ministro.

Raul Jungmann deixa dois filhos e uma neta.