Quaest mostra Flávio à frente de Tarcísio

Pesquisa contraria o que dissera antes Instituto Ideia. Lula vence em todos os cenários

Por Gabriela Gallo

Tarcísio e Flávio disputam as preferências da direita

Nova rodada da Pesquisa Genial Quaest, divulgada nesta quarta-feira (14), apontou que, caso as eleições acontecessem neste momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganharia todos os possíveis cenários no segundo turno. A pesquisa foi realizada de 8 a 11 de janeiro e ouviu 2.004 pessoas distribuídas entre 120 municípios do país. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais.

A pesquisa aponta uma polarização em relação à percepção do terceiro mandato de Lula. Do total de entrevistados, 49% desaprovam o governo e 47% aprovam. Contudo, apesar da desaprovação do governo representar quase metade dos votos, Lula continua sendo o candidato a presidente com mais intenções de voto. Nas intenções de votos espontâneas, ele aparece com 19%, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o único adversário que foi lembrado, com 7% (68% dos entrevistados estavam indecisos).

Ao Correio da Manhã, o professor de ciência política do Ibmec Brasília Leandro Gabiati ponderou que o presidente Lula é favorecido por ser muito conhecido, e “ao mesmo tempo tem uma rejeição elevada por ser tão conhecido e por ser o presidente da República”.

“Aqueles que não avaliam positivamente a gestão, passam a rejeitá-lo num cenário eleitoral. Mas ao mesmo tempo há pessoas que avaliam os outros candidatos como menos positivos e, ainda que não gostem tanto do Lula, eles o escolhem como uma opção ‘menos ruim’”, afirmou o analista político.

Em cenários eleitorais diferentes para primeiro turno eleitoral, o petista também sai na frente. Em um primeiro cenário fictício, Lula teria 36% das intenções de votos, Flávio Bolsonaro 23% dos votos e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), 9% das intenções de votos.

Em um segundo cenário, desta vez sem o governador de São Paulo, Lula teria 35% dos votos no primeiro turno, Flávio Bolsonaro 26% e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), 9%.

Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, o petista teria 45% das intenções de votos e o senador 38% das intenções de votos.

Já em um terceiro cenário em que o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador do Paraná não concorram, Lula teria 39% das intenções de votos e Tarcísio 27% no primeiro turno. Em um segundo turno, o candidato à reeleição teria 44% das intenções de votos e o governador de São Paulo, 39%.

Comparações

A pesquisa Quaest apresentou seus resultados um dia após o levantamento de intenções de votos do Instituto Ideia, divulgada nesta terça-feira (13). E as pesquisas apresentaram alguns resultados divergentes. Enquanto o levantamento da Quaest mostra Lula como reeleito em todos os cenários possíveis no segundo turno, o Instituto Ideia apontou que Tarcísio de Freitas apresentava empate técnico com Lula. De acordo com a Ideia, o petista apresenta 44,4% das intenções de voto e o governador paulista 42,1% dos votos. Considerando que a margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais, os candidatos apresentam empate técnico.

Além disso, o Instituto Ideia apontou um enfraquecimento de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, apontando uma diferença de seis pontos percentuais abaixo de Tarcísio em um eventual segundo turno (36%), e menos intenções de voto no primeiro turno (27,6%) em relação a Tarcísio (37,2%).

Para a reportagem, o professor de ciência política destacou que, como as pesquisas foram realizadas dez meses antes das eleições, os dados são importantes, mas devem ser ainda analisados de forma relativa. “A política é muito dinâmica”, explicou.

Em relação aos principais nomes da direita, Leandro Gabiati avaliou que Flávio Bolsonaro apresenta a vantagem de ser uma figura conhecida politicamente. Porém, seu parentesco com o ex-presidente Jair Bolsonaro é uma vantagem e, ao mesmo tempo, uma desvantagem.

“O sobrenome Bolsonaro, assim como é conhecido e ajuda a ter uma base de eleitores que dizem que votariam nele, ao mesmo tempo também causa uma rejeição porque é um sobrenome que também tem um peso negativo”, reiterou o cientista político.

E isso que pode trazer a maior vantagem para Tarcísio. “Tarcísio é um candidato mais moderado que Flávio Bolsonaro. Isso facilita que ele obtenha o eventual apoio na eleição daquele eleitor mais moderado, que não quer votar no Lula nem em Bolsonaro”, afirmou Gabiati.