Risco de citação no caso Master faz Lewandowski pedir para sair
Segundo uma das versões que circulam em Brasília, ministro da Justiça quer deixar a pasta antes que seu nome seja citado no inquérito da PF, que ele comanda
Uma discussão que começou a circular em Brasília gira em torno do que pode estar por trás da pressa do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, em deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo uma das versões, apurada pelo Correio, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) estaria em uma situação desconfortável diante da possibilidade de seu nome ser citado nas investigações sobre o escândalo do Banco Master, tocadas pela Polícia Federal, que ele próprio chefia.
Os agentes federais estão debruçados sobre a extensa teia de relações sociais, comerciais e políticas construída por Daniel Vorcaro, dono do Master. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, após a autoridade monetária negar sua compra pelo Banco Regional de Brasília (BRB) em setembro. O banco público do Distrito Federal havia comprado do Master R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ou "podres".
Lewandowski compõe essa teia de relações investigada pela PF. Aposentado do STF em agosto de 2023, ele logo passou a integrar o comitê consultivo estratégico do Banco Master, onde permaneceu até abril de 2024, quando passou a compor o governo Lula.
Em 17 de novembro de 2025, foi deflagrada a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga a venda de títulos de créditos falsos. Um dos alvos, Daniel Vorcaro foi preso naquele dia quando tentava deixar o país, rumo a Dubai, em seu avião particular, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Outros quatro executivos do banco também foram presos.
Onze dias depois, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou a soltura de Vorcaro e dos outros quatro presos. O grupo passou a usar tornozeleira eletrônica e a cumprir outras medidas restritivas durante as investigações do suposto esquema revelado pela operação Compliance Zero.
Durante o período em que trabalhou para o Master, Ricardo Lewandowski foi auxiliado pelo filho Enrique. Depois que assumiu o Ministério da Justiça e Segurança Pública, Enrique foi substituído pelo escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Quem assumiu o lugar de Ricardo Lewandowski no Master foi Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central de Lula e ex-ministro da Fazenda do ex-presidente Michel Temer (MDB), que, por sua vez, também prestou consultoria para o Master. O comitê consultivo estratégico era integrado também por Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda de Lula e Gustavo Loyola, ex-presidente do BC de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.
A presença de tantos notáveis no comitê, entretanto, não foi suficiente para conter a avalanche de fraudes do Master, mesmo com a imprensa denunciando inconsistências no balanço da instituição.
Ricardo Lewandowski, já avisou o presidente Lula que deixará a pasta em janeiro. Alegando questões pessoais, gostaria, inclusive, que fosse nesta semana.
Lula gostaria que ele ficasse no governo até a aprovação da PEC da Segurança no Congresso. Mas o ministro tem se mostrado irredutível.
O nome de Alexandre de Moraes já foi citado pela imprensa como suposto defensor do lobby do Master, em razão dos serviços prestados por sua esposa ao banco de Daniel Vorcaro. Conforme a versão que circula em Brasília, Lewandowski, como ex-consultor do banco, teme uma eventual citação de seu nome no inquérito da PF, o que tornaria sua permanência no ministério insustentável.