Com maioria governista, CPI do Crime Organizado é instalada

Senador Fabiano Contarato (PT-ES) foi eleito presidente, e Alessandro Vieira (MDB-SE) ficou com a relatoria

Por Redação

Os senadores Fabiano Contarato (PT-ES) e Alessandro Vieira (MDB-SE)

O Senado instalou, nesta terça-feira (4), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, destinada a investigar a atuação de facções e milícias no país. O senador Fabiano Contarato (PT-ES) foi eleito presidente do colegiado. A relatoria ficou com Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento de criação da CPI.

A eleição de Contarato para a presidência é uma vitória para o Palácio do Planalto, bem como a composição do colegiado, formado por 11 integrantes, sendo seis governistas. A instalação da comissão, que acontece a um ano das eleições de 2026, é um componente a mais na discussão sobre um tema que está no centro da disputa entre esquerda e direita.

Contarato recebeu 6 votos, superando Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que teve cinco votos e foi escolhido como vice-presidente por aclamação.

Anteriormente, a ideia da oposição era ter na presidência da comissão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas lideranças do bloco avaliaram que o nome de Mourão teria menos resistência.

Para evitar nova derrota, como ocorreu na instalação da CPI do INSS, em agosto, quando o senador Carlos Viana (Podemos-MG) foi eleito presidente à revelia da base, os governistas articularam trocas entre os membros do colegiado entre ontem e hoje. Com isso, conseguiram, por exemplo, substituir o senador Nelsinho Trad (PSD-MG) pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA), mais fiel ao Executivo.

Ex-delegados no comando

Ex-delegado de polícia, Fabiano Contarato afirmou que vai trazer a experiência profissional para as investigações da CPI. "Vai viver sobre o império do medo, como acontece lá no Comando Vermelho ou no PCC ou qualquer outra facção criminosa! Então, quando o Estado está ausente, o medo se instala e aí se legitima qualquer coisa. Podem ter certeza do meu comprometimento para dar efetivação e solução para essa garantia constitucional de que segurança pública é direito de todos, mas é dever do Estado", disse o petista.

E essa CPI tem um comprometimento para dar uma resposta efetiva. O que nós não podemos admitir é que ações pontuais, como aconteceu recentemente, que vitimou 121 pessoas [no Rio], e aqui eu quero falar dos quatro policiais que vieram a óbito, que isso seja de uma forma momentânea. Quantas operações já ocorreram no Complexo do Alemão, ou através do PCC e assim sucessivamente, do Comando Vermelho, e que o Estado não tem o seu papel de garantidor da segurança pública como direito de todos e dever do Estado? Eu espero que a comissão assim o faça”, prosseguiu.

Já Alessandro Vieira, que também foi delegado de polícia, disse que o trabalho da CPI é importante para apontar a melhor direção para o combate às organizações criminosas.

"Essa discussão que a gente vai fazer na CPI, ela é urgente para que a gente possa definir prioridades e criar consensos técnicos acima da discussão política. A discussão política na democracia, ela é saudável, ela é natural. Isso aqui tem que ser um trabalho sério", disse Vieira.

"A gente tem que dar para o Brasil um retrato, um diagnóstico do que está acontecendo, daquilo que funciona e daquilo que não funciona em termos de segurança pública. Não tem segredo em segurança pública. A atividade é complexa, mas ela não tem segredo, desde que a gente tenha o espírito público suficiente para fazer o nosso trabalho", acrescentou.

Autorizada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a comissão terá 120 dias de funcionamento, prorrogáveis por igual período.