Por: Jorge Vasconcellos

Oposição torna Eduardo Bolsonaro líder da Minoria para evitar perda de mandato

Eduardo Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca | Foto: Reprodução/redes sociais

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está desde fevereiro nos Estados Unidos articulando sanções do governo Donald Trump contra o Brasil, é o novo líder da minoria na Câmara.

A nomeação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi anunciada por lideranças da oposição em coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (16).

A estratégia da oposição ao indicar Eduardo para uma liderança na Casa busca poupá-lo da obrigação de justificar suas ausências nas sessões, evitando, dessa forma, a perda de seu mandato.

A deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) comunicou a renúncia da liderança da Minoria na Câmara para transferir a função para Eduardo.

“Gostaria de comunicar a todos a minha renúncia à liderança da Minoria da Câmara dos Deputados, para transferir essa responsabilidade ao deputado Eduardo Bolsonaro”, afirmou a parlamentar aos jornalistas.

“Tomamos essa decisão convictos de que o Brasil precisa de União e de coragem, especialmente diante das perseguições políticas que tanto o Eduardo como seu pai, Jair Messias Bolsonaro, estão sofrendo”, continuou.

Durante a coletiva de imprensa, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), mencionou um ato da Mesa Diretora na gestão de Eduardo Cunha para justificar a indicação de Eduardo Bolsonaro.

Segundo ele, Caroline de Toni será vice-líder da Minoria, para representar Eduardo nos momentos de ausência em plenário.

Agradecimento

Eduardo agradeceu a ajuda dos aliados para que ele não perca o mandato parlamentar.

“Obrigado ao líder @DepSostenes pela indicação e à amiga Dep. @CarolDeToni pela compreensão neste momento de perseguição política. O Congresso tem a chance histórica de virar a página: aprovar a anistia ampla, geral e irrestrita. Qualquer meia-medida manterá o Brasil refém dos abusos de Moraes e da perseguição política - bem como alvo de sanções”, disse o deputado, por meio da rede social X.

“E não faz sentido crer em promessas futuras de pessoas que já não cumpriram acordos num passado recente. Se em 1979 assassinos e sequestradores foram perdoados, quanto mais justo é perdoar inocentes que jamais cometeram crime. Que Deus ilumine as autoridades brasileiras. É hora de coragem, justiça e liberdade”, acrescentou.

Com essa manobra, Eduardo manterá o mandato parlamentar, com direito ao apoio de um gabinete que custa cerca de R$ 130 mil por mês em recursos públicos. Apenas suas contas e seus bens foram bloqueados, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 15 de agosto, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar quatro pedidos de cassação do mandato de Eduardo, devido a sua atuação contra o país. Até o momento, no entanto, as representações estão engavetadas - três apresentadas pelo PT, uma pelo PSOL.

Indiciamento

Também em agosto, Eduardo foi indiciado pela Polícia Federal por coação no curso do processo sobre tentativa de golpe de Estado, no qual o pai foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, no último dia 11. Jair Bolsonaro também foi indiciado no mesmo inquérito.

Uma das consequências da atuação de Eduardo nos Estados Unidos foi a decisão do governo Trump de taxar em 50% as importações de produtos brasileiros. Houve também revogação de vistos de autoridades brasileiras e a aplicação da Lei Magnitski para impor restrições financeiras a Alexandre de Moraes.