Famílias denunciam falhas em serviço de home care

Situações se agravaram depois de troca da empresa que presta o atendimento

Por Thamiris de Azevedo

Familiares se queixam de piora no atendimento domiciliar

O Correio da Manhã apurou diversas denúncias que apontam má execução na prestação de serviço de home care, modalidade de tratamento domiciliar de alta complexidade, realizada pela Secretaria de Saúde do DF (SES). Ao jornal, mães revelam os casos.

Márcia Ferreira, é uma das mães. Ela conta que o problema começou quando a Secretaria de Saúde (SES) mudou a empresa que prestava o serviço, no início deste ano. Segundo Márcia, os pacientes estão sendo migrados gradualmente, quanto, então, o atendimento piora de forma considerável. Márcia conta que a SES chegou a suspender as migrações, mas em junho elas retomaram.

“Eles estão colocando os equipamentos de qualquer jeito. Há pacientes ficando sem técnico, e isso não pode acontecer. Eles precisam de acompanhamento 24 horas. Montamos uma comissão para fazer denúncias, mas ainda tem muita gente reclamando”, relata.

Nayara Nunes também é mãe de um paciente. À reportagem, ela denuncia que a má qualidade está deixando o seu filho adoecido.

"Meu filho migrou no dia 16 de julho, e sábado fiquei sem cobertura. Quando enviam técnicos, percebo que estão totalmente despreparados. Eles não sabem fazer nem uma técnica de aspiração, que é uma das principais ocorrências do Davi. Ele tem histórico de parada, e é imprescindível alguém que saiba fazer uma boa aspiração sem contaminação. O Davi já começou a apresentar sinais de infecções, e é por causa dessas inspirações contaminadas”, afirma.

Rosângela Moreira, também mãe de paciente, avalia que um dos principais problemas na má prestação do serviço está no mau pagamento dos técnicos.

“Eu também sou técnica de enfermagem. Por que os técnicos não querem ficar no plantão? Pelo salário. O home care é como uma UTI, precisa de profissionais com experiência. Quem tem experiência, não vai fazer um plantão de R$ 160”, critica.

Gleiciana da Silva conta que sua filha está migrando agora e revela ter medo.

“Eu estou com muito medo da minha filha ser migrada para essa empresa, devido a toda essa situação. Qual vem cuidar da minha filha? Eles não têm preparo", preocupa-se.

A reportagem apurou que as denúncias estão tramitando em processos no Tribunal de Contas, Ministério Público (MP) e Ministério Público de Contas. A Defensoria Pública do DF também protocolou, em janeiro, ofício à Pasta de saúde.

Em nota, a SES não respondeu aos questionamentos da reportagem. Disse apenas que trabalha de maneira transparente com os órgãos de controle.