Por: Ana Paula Marques

Lula chega ao Egito para discutir guerra e mudanças climáticas

Antes dos encontros oficiais, Lula visitou as Pirâmides de Gizé | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou nesta quarta-feira (14) no Cairo, capital do Egito, para uma reunião com o presidente Abdel Fattah El-Sisi, que acontece nesta quinta-feira (15). Um dos temas centrais da agenda do presidente Lula com autoridades egípcias será a guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza — região que faz fronteira com o Egito. Também estão na pauta as mudanças climáticas e o comércio entre os países.

Desde que a guerra entre Israel e o grupo Hamas começou em outubro do ano passado, o Brasil repatriou cerca de 1,5 mil cidadãos que estavam na região de conflito e pediram ajuda ao governo para retornar ao país. Desse grupo, 115 eram brasileiros que viviam na Faixa de Gaza e só puderam retornar ao país após o Egito abrir as fronteiras. É pela cidade de Rafah que os refugiados saem da faixa buscando abrigo contra o conflito no Oriente Médio. O Brasil deve se envolver em um possível acordo mediado pelo Egito na guerra.

Esta é a primeira viagem do presidente para fora do país neste ano e a segunda para a África no terceiro mandato de Lula, em um gesto que demonstra o interesse do Brasil numa relação mais profunda com economias emergentes, como a Etiópia, da qual o presidente deve desembarcar na sexta-feira (16), após cumprir agenda no Egito, para reuniões bilaterais e participa como convidado da 37ª Cúpula de Chefes de Estado e Governo da União Africana, entidade que reúne as 55 nações do continente.

Além do presidente brasileiro, devem participar da cúpula o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Neste primeiro dia em solo egípcio, o Lula e a primeira-dama Janja da Silva visitaram as pirâmides próximas da capital, as Pirâmides de Gizé.

Acordos

A expectativa é de que sejam assinados acordos bilaterais nas áreas de bioenergia e ciência, tecnologia e inovação. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o presidente Lula deverá reforçar as oportunidades de cooperação entre os países africanos e o Brasil. Além de reforçar seu esforço no combate à desigualdade e à fome, tecla da qual o governo aperta com frequência durante esse mandato, principalmente em eventos de políticas externas.

Outra intenção da diplomacia brasileira é reforçar as relações comerciais, especialmente quanto a produtos agrícolas. O Egito é um dos principais parceiros comerciais do Brasil na África, e é esperado que o governo egípcio aprove em breve novos abatedouros e frigoríficos no Brasil para a exportação de carne bovina.

A relação entre os dois países vai além da carne, segundo o Palácio do Planalto. Em 2023 o comércio bilateral entre os países chegou a US$ 2,8 bilhões — sendo US$ 489 milhões em produtos egípcios importados e US$ 1,83 bilhões em produtos brasileiros exportados, segundo o governo.

África

O presidente Lula retorna à África com o objetivo de consolidar uma nova posição, segundo o analista de Política Internacional da BMJ Consultores Associados Vito Villar. O governo brasileiro vai à África ciente da dificuldade decorrente do vácuo de atuação causado pela falta de presença brasileira no continente nos últimos anos.

“Esse espaço foi ocupado por outros países emergentes, como China, Índia e Turquia, que aumentaram significativamente os investimentos diretos na região. A diferença de peso foi evidente na recepção do presidente Lula no Egito, feita pelo ministro do turismo e Antiguidades do Egito, Ahmed Issa, enquanto o presidente da Turquia, Erdogan, foi recepcionado pelo próprio presidente Al-Sissi horas depois da chegada de Lula”, explicou o analista.

Segundo Villar, o ato não representa um desprestígio ao governo brasileiro, entretanto, destaca a influência significativa que a Turquia possui na região, especialmente em relação ao cessar-fogo em Gaza. Porém,“ desde o início do seu terceiro mandato, o presidente Lula deixou claro que uma das principais prioridades de sua política externa seria reativar o contato do Brasil com as nações africanas. Então a visita tem como estratégia manter essa nova posição no continente”, explica.

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