Justiça Federal condena ex‑militar por crimes na Casa da Morte
06 de agosto de 202600:01Redação
Pena foi fixada em quase 13 anos de reclusão, em regime inicial fechadoCrédito: Divulgação
A Justiça Federal condenou o ex-sargento do Exército Antonio Waneir Pinheiro Lima, conhecido por "Camarão", pelos crimes de sequestro qualificado e dois estupros praticados contra a militante política Inês Etienne Romeu na Casa da Morte, em Petrópolis. A pena foi fixada em 12 anos, 11 meses e 25 dias de reclusão, em regime inicial fechado. A sentença reconhece como crimes contra a humanidade e afasta a prescrição e a aplicação da Lei da Anistia, porque os crimes ocorreram dentro de um ataque sistemático promovido pelo aparato repressivo do Estado contra opositores políticos. Inês é a única sobrevivente conhecida do centro clandestino de repressão da ditadura militar. Além da prisão, a Justiça determinou a perda do cargo público militar. Mesmo reformado e aos 82 anos, o ex-sargento perderá a graduação porque, segundo a decisão, utilizou a função para manter a vítima em cárcere privado, submetê-la à tortura e praticar violência sexual.
Condenação representa uma reparação tardia
Casa da Morte: um centro clandestino de repressão da ditaduraCrédito: Rafane Paixão
Segundo o MPF, ao menos 22 pessoas foram assassinadas ou seguem desaparecidas após passarem pela Casa da Morte. Para os procuradores da República Vanessa Seguezzi, Antonio do Passo Cabral e Sérgio Suiama, autores da ação penal, a condenação representa uma reparação, ainda que tardia, à memória de Inês Etienne Romeu e de todas as vítimas que passaram pelo local. Os procuradores afirmaram ainda que o MP continuará atuando para que outros casos com provas dos crimes também sejam responsabilizados.
Elo com o testemunho deixado pela vítima há 55 anos
O documento é iniciado com um trecho de uma carta escrita por Inês Etienne Romeu em 3 de outubro de 1971, quando ainda estava sob o impacto das violências sofridas na Casa da Morte: "Se eu morrer, essas pessoas divulgarão o documento no país (se a censura deixar) e no exterior, para que um dia se esclareçam fatos obscuros [...] ainda que demande tempo, trabalho e sacrifício, menos em minha memória, mais em nome da honra do país em que nasci [...]".
Correio não conseguiu contato com a defesa
A redação do jornal Correio Petropolitano tentou localizar a defesa do ex-sargento do Exército Antonio Waneir Pinheiro Lima para comentar a decisão da Justiça Federal, mas não conseguiu identificar ou estabelecer contato com os advogados que representam o ex-militar até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para eventual manifestação.
Operação
Um terreno que servia para desmontagem de veículos e não possuía registro junto ao Detran RJ foi desarticulado por agentes da Operação Desmonte em uma ação conjunta com as polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e Instituto Estadual do Ambiente. No local na Estrada Philuvio Cerqueira Rodrigues, 749, em Petrópolis.
Crime ambiental
Às margens do Rio Santo Antônio, os agentes também detectaram crime ambiental. Óleo motor e outros poluentes estavam sendo lançados diretamente ao solo e no curso d´água. Todo o material foi recolhido e encaminhado para empresas de reciclagem. A ação da Diretoria de Desmontagem aconteceu após uma operação da Polícia Civil na região.
Desmonte
O Detran RJ foi acionado para constatar que o comércio não possuía registro e retirar as peças, uma vez que o terreno não era cercado, não possuía portão e usuários de drogas estavam invadindo a localidade a noite para roubar peças e consumir substâncias ilícitas, causando transtornos à população. O suspeito foi preso em flagrante.
Audiência
A Câmara Municipal de Petrópolis será palco de uma audiência pública para debater o futuro dos prédios dos Correios no município. O encontro acontece no dia 19 de agosto, às 19h, no plenário da Casa Legislativa, e pretende discutir alternativas para a preservação, utilização e valorização desses imóveis, considerados parte do patrimônio histórico da cidade.
Tema
O debate é promovido pela vereadora Professora Lívia, em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Sintect-RJ). O tema da audiência será "Direitos Humanos, Memória e Patrimônio: O futuro dos prédios dos Correios em Petrópolis". A proposta é ampliar o diálogo sobre a importância do patrimônio histórico e cultural.
Venda
Vale lembrar que o prédio onde funciona a sede dos Correios em Petrópolis, localizado na Rua do Imperador, nº 350, no Centro Histórico, foi colocado à venda pela estatal. A medida integra o plano de recuperação financeira anunciado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos em novembro do ano passado.
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