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Iphan descarta transferência do Vagão de Dom Pedro II

Ao Correio, instituto afirma que peça está em bom estado de conservação

Por Gabriel Rattes

Carro Imperial, conhecido como Vagão de Dom Pedro II

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não recomenda, neste momento, a transferência do Carro Imperial, conhecido como Vagão de Dom Pedro II, para o Museu Imperial de Petrópolis. Em resposta ao Correio Petropolitano, o órgão informou que a peça está em bom estado de conservação e que a prioridade é garantir a preservação e a recuperação do conjunto histórico do Museu do Trem, localizado em Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

A manifestação do Iphan ocorre em meio à mobilização por uma destinação considerada mais segura para o Carro Imperial. Uma petição pública solicita a transferência da peça para o Museu Imperial de Petrópolis e registrava 733 assinaturas até quarta-feira, dia 14 de outubro. O documento sustenta que, após o encerramento do Museu do Trem, o vagão estaria vulnerável à exposição às intempéries, à degradação e a possíveis saques.

No entanto, segundo o Iphan, foram concluídos o Plano Museológico do Museu do Trem e o inventário do acervo, organizado em um banco de dados específico. O trabalho também incluiu ações de acondicionamento e higienização de materiais em suporte de papel, permitindo avaliar as condições de conservação e segurança das peças e subsidiar a elaboração de um projeto de restauração.

O instituto informou ainda que o Carro Imperial passa por higienização periódica e que as peças do museu são vistoriadas conforme o planejamento anual. A inspeção mais recente ocorreu em julho de 2026.

Preservação no local de origem

Ao comentar a possibilidade de transferência para Petrópolis, o Iphan afirmou que não há recomendação técnica, no momento, para retirar o Carro Imperial ou outros bens de alto valor histórico do Museu do Trem. Segundo o órgão, a atuação institucional busca criar condições que "permitam a preservação, recuperação e restauração do conjunto dos carros ferroviários e dos demais bens que integram o acervo do Museu".

Para o instituto, manter as peças no museu de referência permite preservar a unidade histórica, museológica e simbólica entre os objetos e o espaço que lhes confere significado público. O Iphan também destaca a importância do Museu do Trem para a memória, a história e a identidade do bairro de Engenho de Dentro e da comunidade.

Na avaliação do órgão, a transferência de bens culturais de excepcional relevância deve ser considerada uma medida "extrema e excepcional". Por isso, a prioridade é fortalecer o próprio museu e garantir a preservação do patrimônio ferroviário no local.