Quatro pedidos de cassação na conta de Hingo Hammes (PP)

Câmara Municipal afirmou que os atuais pedidos estão sob análise

Por Richard Stoltzenburg - PETR

Os dois primeiros pedidos foram "barrados" no Jurídico da Câmara

Em dois anos de governo, o prefeito de Petrópolis, Hingo Hammes (PP), acumula quatro pedidos de cassação do mandato, que durará até 2028. Os dois protocolos atuais são referentes a denúncias de mau uso de recursos públicos e má administração, que teriam levado ao impacto financeiro do Serviço Social Autônomo do Hospital Alcides Carneiro (SEHAC).

Uma das denúncias partiu do vereador Léo França (PT), que, pela segunda vez, protocolou na Câmara Municipal o pedido, alegando infração político-administrativa e solicitando a abertura de uma Comissão Processante para apurar fatos relacionados à condução da saúde pública durante a gestão de Hingo. Segundo o parlamentar, é preciso analisar a situação financeira do SEHAC, que, conforme a fiscalização, já acumula aproximadamente R$ 437 milhões em dívidas, sendo cerca de R$ 58 milhões somente com fornecedores do Hospital Alcides Carneiro, acumulados desde 2025.

Outro ponto da denúncia do vereador é que a dívida da Prefeitura com os hospitais conveniados ultrapassa R$ 170 milhões. Esses valores englobam as seguintes instituições: Hospital Santa Teresa, cerca de R$ 60 milhões; Complexo Hospitalar de Petrópolis (CHP), aproximadamente R$ 42,2 milhões; Clínica Tannure, cerca de R$ 7,3 milhões, além de dívidas com outros equipamentos de saúde.

Além do parlamentar, o advogado Moises Borges também protocolou, pela segunda vez, o pedido de cassação do prefeito da cidade. No documento, ele aponta duas possíveis irregularidades: o uso indevido de mais de R$ 57 milhões em recursos vinculados, que seriam destinados às áreas de educação, saúde e Defesa Civil, bem como recursos do fundo de capitalização do INPAS, cuja recomposição, conforme aponta, se daria de forma escalonada, em parcelas iguais, nos exercícios de 2026, 2027 e 2028.

O outro ponto é a realização de despesas sem cobertura orçamentária, no valor de R$ 31.976.661,91, referentes ao contrato de prestação de serviços firmado com a Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis (COMDEP), relativo a resíduos sólidos e limpeza urbana.

Os primeiros pedidos de cassação do mandato do prefeito ocorreram em dezembro de 2025 e em maio deste ano. Com os protocolos atuais, o Correio questionou a Casa Legislativa, que ressaltou que os pedidos estão sob análise do Jurídico.

A Prefeitura disse, em nota, que "lamenta as tentativas de politização de um esforço sério de regularização fiscal. O pedido de cassação protocolado pelo vereador Léo França não possui qualquer embasamento jurídico ou administrativo. Trata-se, nitidamente, de uma tentativa de criar um fato político, utilizando o plenário da Câmara Municipal como palanque eleitoral em benefício de sua candidatura", comentou.

Já em relação ao pedido que cita o uso de recursos, a Prefeitura esclareceu que não houve escolha deliberada da gestão. "A movimentação desses valores ocorreu exclusivamente em razão do cumprimento de demandas e constantes sequestros judiciais compulsórios nas contas do município, executados justamente para o pagamento dessa mesma herança de dívidas milionárias do passado", ressaltou.