Jalsa Salana reúne mais de 50 mil pessoas no Reino Unido

Programação reuniu palestras e debates entre diferentes povos e culturas do planeta

Por Richard Stoltzenburg - PETR

Equipe do Correio Petropolitano esteve no evento que reuniu acadêmicos, jornalistas, representantes de diversas religiões

Durante três dias, um grande espaço montado na cidade de Alton, no sul da Inglaterra, transformou-se em uma verdadeira cidade temporária para receber os participantes da Jalsa Salana UK, a reunião anual da Comunidade Muçulmana Ahmadiyya. Representantes de dezenas de nacionalidades compartilham um mesmo ambiente, unidos por um propósito comum: fortalecer a fé e promover a paz. A equipe do Correio Petropolitano esteve presente na cobertura do evento.

Grande parte dessa operação é conduzida por voluntários. Homens e mulheres dedicam dias e até semanas de trabalho para garantir o funcionamento de todos os setores do evento. Da preparação das refeições à limpeza, do estacionamento ao apoio logístico, praticamente toda a estrutura depende do serviço voluntário, considerado um dos pilares da comunidade.

Programação

Mais do que cerimônias religiosas, a programação também reúne palestras e debates sobre educação, juventude, família, direitos humanos, liberdade religiosa, convivência entre diferentes povos e promoção da paz. Acadêmicos, jornalistas, representantes de diversas religiões e convidados internacionais participam da reunião.

Entre eles esteve o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ativista pelos direitos humanos e pela liberdade religiosa, Ivanir dos Santos. Segundo ele, um dos aspectos mais marcantes da Jalsa Salana é justamente a valorização da diversidade dentro da própria comunidade islâmica.

O pesquisador destacou que participantes vindos de diferentes países preservam suas identidades culturais e étnicas sem abrir mão da convivência harmoniosa. Como exemplo, citou o encontro com integrantes da comunidade yorubá presentes na convenção, que mantêm vivas suas tradições culturais.

Para Ivanir, essa experiência contribui para desconstruir estereótipos frequentemente associados ao islamismo e demonstra que a religião pode ser um espaço de diálogo, respeito às diferenças e promoção da paz.

"O que se vê aqui é um ambiente onde pessoas de diferentes partes do mundo convivem com respeito, preservando suas tradições e dialogando umas com as outras. Essa é uma mensagem importante para um mundo marcado por conflitos e intolerância", observou o professor.

Representando o Brasil, além do professor, também estiveram presentes no evento Wasim Ahmad Zafar, presidente da comunidade Ahmadiyya no país, a jornalista do Diário de Petrópolis, Flávia Carneiro Dias e o repórter Erick Portella, representante do grupo Correio da Manhã.

Mais do que uma reunião religiosa, a Jalsa Salana tornou-se um símbolo de convivência entre povos de diferentes nacionalidades, culturas e idiomas. Em um cenário marcado por guerras, o encontro procura reafirmar uma proposta que ultrapassa fronteiras: promover o diálogo, fortalecer o respeito mútuo e incentivar a construção da paz entre os povos.

Necessidade de avanços

De acordo com os dados do Ministerio da Cidadania e dos Direitos Humanos, entre janeiro de 2025 e janeiro deste ano, o Disque 100 registrou 2,7 mil denúncias ligadas à intolerância religiosa. Umbanda, candomblé e outras religiões afro-brasileiras estão entre as principais vítimas.