Justiça intima Prefeitura para esclarecer situação alimentar
Decisão é um desdobramento da denúncia dos alimentos do HAC
A Prefeitura e o corpo técnico do Serviço Autônomo do Hospital Alcides Carneiro (Sehac), que gere o Hospital Alcides Carneiro (HAC), terão que esclarecer à Justiça a situação nutricional da unidade. A decisão é do juiz Jorge Luiz Martins, da 4ª Vara Cível de Petrópolis, que intimou os envolvidos para se apresentarem em juízo nesta quinta-feira (9), após a exposição de denúncias de má conservação de hortifrutis e cardápio reduzido.
O magistrado levou em consideração a denúncia do vereador Léo França (PT), que relatou, por meio das redes sociais, a situação nutricional da unidade. Conforme apontou o vereador, após a fiscalização no local de armazenamento de alimentos, havia hortifrutis em degradação. Também contou que recebeu relatos de pacientes e familiares de que estavam, há pelo menos 15 dias, comendo ovo como proteína.
Após a denúncia, o diretor-presidente do Sehac, Luís Cruzick, e a nutricionista da unidade, Vanessa Wendling da Silva, informaram, por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, que as informações não eram verdadeiras, declarando que "nenhum alimento com alteração é utilizado nas refeições, o cardápio é elaborado por nutricionistas e os pacientes recebem uma alimentação planejada e variada".
Sobre os fatos, a Prefeitura encaminhou uma nota ao Correio, ressaltando que as informações divulgadas sobre a alimentação dos pacientes não refletem a rotina da unidade. "Todos os dias, antes do preparo das refeições, a equipe de Nutrição confere os alimentos que serão utilizados. Qualquer produto que apresente alteração é descartado imediatamente e não chega a ser servido aos pacientes", apontaram.
Também esclareceram que não é verdadeira a informação de que o ovo tenha sido a única fonte de proteína oferecida nos últimos 15 dias. "O cardápio é planejado por nutricionistas e segue critérios técnicos, respeitando as necessidades nutricionais de cada paciente. Eventuais substituições de itens fazem parte da rotina de qualquer serviço de alimentação hospitalar e ocorrem por questões operacionais, sem relação com denúncias ou mudanças emergenciais", contaram.
A direção do HAC também informou que prestará todos os esclarecimentos solicitados pela Justiça.
Porém, o fato de haver apenas ovo como proteína foi citado em audiência na 4ª Vara Cível, em novembro de 2025, quando o juiz Jorge Luiz Martins havia apelidado a situação de "Festival de omelete: segunda, terça, quarta, todos os dias. Tiraram a carne e colocaram ovo".
Também em 2025, houve uma audiência em que foi levantado que, para conter gastos, profissionais também foram orientados pela direção do Sehac a reavaliar o cardápio das refeições, priorizando a redução de custos sem comprometer o valor nutricional. Conforme o relato da nutricionista Vanessa Wendling, na época, o item mais caro do cardápio era a proteína, e a carne vermelha estava sendo substituída pela branca, como frango e ovo.