Dia do Cinema Brasileiro ressalta a importância da identidade
Data representa resistência, cultura e marcas da história brasileira
Por Leandra Lima
A expressão "Absolute Cinema é a cultura do Brasil" define o cinema nacional, que é celebrado neste dia 19 de junho. Isso é o que aponta a classe artística brasileira, que vê nesta data um momento de celebrar as diversas formas de manter vivas as histórias registradas pelas câmeras. A longevidade dos registros pode ser lida como eternidade, que significa algo que não tem fim. A palavra também tem uma ligação com o conceito de fé, cultura, arte e memórias, que se interligam automaticamente com todas as variáveis apresentadas.
Transformar momentos e lembranças nos mais duráveis possíveis é um privilégio dado por meio da tecnologia, e é com essa essência que o cinema nacional é retratado. Ele trabalha para eternizar e materializar sonhos e histórias através das lentes de uma câmera. E também carrega identidade, algo indispensável para um povo, como expressa o cineasta petropolitano Rodolfo Medeiros. "A produção audiovisual brasileira é fundamental porque ela preserva nossa identidade. Nenhum outro país pode contar nossas histórias da forma como nós contamos. O Brasil é diverso, complexo, rico em culturas, sotaques, tradições e experiências humanas", disse.
Celebração
A celebração do cinema brasileiro nasceu em 19 de junho de 1898, quando Affonso Segretto registrou, pela primeira vez, imagens em movimento no Brasil, captando através da câmera a Baía de Guanabara.
Além de comemorações, a data traz uma reflexão sobre o fazer no país, que já enfrentou altos e baixos nas produções, principalmente as independentes, por conta de verbas e questões políticas. Um exemplo é a censura enfrentada durante a ditadura militar no país, pois a arte, impulsionada pelo movimento Cinema Novo, funciona como um ato político e social, trazendo questões de desigualdade e camadas sociais.
Para Rodolfo Medeiros, a data significa resiliência e reflexão. "É uma oportunidade de reconhecer a trajetória de tantos artistas, técnicos, produtores e realizadores que ajudaram a construir a história do cinema brasileiro, muitas vezes enfrentando enormes desafios para continuar produzindo. Por isso, o Dia do Cinema Brasileiro representa resistência, criatividade e a certeza de que nossas histórias merecem ser contadas e vistas", expressou.
Identidade
Há um ditado que diz a seguinte frase: 'um povo sem cultura perde a identidade'. E é exatamente isso que o audiovisual nacional quer mostrar ao público. Em 2025, segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine), o setor cinematográfico comemorou não só a trajetória, mas também uma forte recuperação.
"Segundo dados do Relatório Focus 2025, o Brasil registrou, em 2024, o segundo maior crescimento de público nas salas de cinema entre 21 países selecionados, incluindo os principais mercados mundiais. O país alcançou 70% de recuperação em relação ao patamar pré-pandemia de 2019, superando a média global (67,7%) e países como Estados Unidos (62,2%) e México (60,9%)", aponta a Ancine.
Esse momento é visto por Rodolfo, que começou a trajetória no cinema a partir do teatro, como fortalecimento. "Quando isso acontece, estamos garantindo que nossas realidades sejam registradas e compartilhadas. Estamos permitindo que futuras gerações conheçam quem fomos e compreendam melhor quem somos. Além disso, o audiovisual gera emprego, movimenta a economia criativa e fortalece a cultura como um todo", ressaltou.
O cineasta também pontuou que garantir espaço para os filmes brasileiros é garantir diversidade de olhares. "Quando o público tem acesso apenas a produções estrangeiras, acaba conhecendo pouco sobre sua própria realidade. Os filmes brasileiros falam sobre nossas cidades, nossas questões sociais, nossos afetos, nossas conquistas e desafios. Eles ajudam a fortalecer a identidade cultural do país e criam oportunidades para novos talentos surgirem. Quanto mais espaço houver para o cinema nacional, mais rica será a nossa produção cultural", comentou.
Conexão
Assim como todo espectador que se conecta com a realidade passada através das telas, Rodolfo se encantou com o mundo do audiovisual. Muito também veio da experiência no teatro, uma das mais belas artes do mundo, sendo capaz de ressoar histórias e sentimentos através do corpo.
"Sou ator de formação, mas ao longo dos anos fui descobrindo que também tinha o desejo de criar histórias, dirigir e produzir. Sempre fui fascinado pela capacidade que o audiovisual tem de eternizar momentos e alcançar pessoas de diferentes lugares ao mesmo tempo. Os primeiros passos no cinema vieram com a realização de curtas-metragens independentes, entre eles Encontro (2009) e Recomeçar (2010), produções que me renderam importantes reconhecimentos, incluindo premiações da TV Escola", contou.
Os trabalhos apontados por ele foram fundamentais para mostrar que era possível unir arte, inclusão e transformação social através do cinema. "Outro momento muito importante da minha trajetória foi a participação na equipe de produção da série Meu Passado Me Condena. Essa experiência me permitiu vivenciar de perto uma produção audiovisual de grande alcance, ampliando meu olhar sobre os processos de realização e fortalecendo ainda mais meu desejo de seguir construindo uma carreira no cinema", expressou.
Preservação da memória
Como mencionado, o cinema é uma das ferramentas mais poderosas de preservação da memória, e é isso o que o torna mágico. "Muitas vezes, uma comunidade, um personagem ou uma história local não estão registrados em livros, mas podem permanecer vivos através de um filme. O cinema tem a capacidade de transformar essas experiências em memória coletiva. Quando registramos uma história local, estamos preservando não apenas fatos, mas emoções, modos de vida, valores e identidades", finalizou o cineasta.