Escritora de Petrópolis será novamente premiada na Angola

Experiência e superação ilustradas nos livros cruzam o oceano levando inspiração

Por Richard Stoltzenburg - PETR

Em 2019, por meio da obra "A Menina Solitária", ganhou o Prêmio Talento Helvético-Brasileiro

Por Leandra Lima

"A arte não tem barreiras". Esse ditado popular ilustra a trajetória da escritora petropolitana Angélica Paes, que enfrentou e superou diversas barreiras desde criança por ser portadora do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e do distúrbio de aprendizagem conhecido como dislexia. Fazendo suas obras atravessarem o oceano, chegando até o continente africano, especificamente Angola.

A escrita é uma ferramenta capaz de expressar sentimentos e pensamentos. Por meio dela, é possível criar novos universos e realidades, além de aprimorar as emoções e a sensibilidade perante a vida. A partir dessa percepção, a jornalista, artista e escritora petropolitana demonstra isso por meio das obras literárias que produz.

Em Angola ela já foi premiada, e vai receber a honraria presencialmente em novembro deste ano, pelo livro "As Periféricas - A transformação na periferia pelo poder da literatura". Além da cerimônia, Angélica passará cerca de 20 dias em uma comunidade na região, onde fará parte de ações voltadas para crianças.

A obra

As Periféricas é uma história que se passa no Morro Santa Marta e nos morros de diversas comunidades do Rio de Janeiro e de Petrópolis. Os assuntos abordados na obra refletem um espelho social, tocando em temas pertinentes como o preconceito racial e social, a violência contra a mulher, o cotidiano da comunidade, o tráfico de drogas, a luta contra o câncer e a relação entre ricos e pobres, realçando a importância da literatura na periferia, pois, por meio dela, vidas se transformam.

Nesse cenário, a trama gira em torno de três jovens sonhadoras: Lisandra (Lisan), Melissa (Mel) e Bianca (Bia), que, juntas, formam "As Periféricas", uma banda que nasceu na ONG Atitude Social, localizada no Morro Santa Marta. É lá que acontecem diversos trabalhos sociais voltados ao atendimento de crianças e adolescentes carentes da comunidade. Segundo a literata, em um mundo cheio de preconceitos, a obra chega para quebrar paradigmas e mostrar personagens que enfrentam diversos obstáculos para a realização de seus sonhos.

Conquistas

A escritora coleciona uma vasta lista de prêmios. Em 2019, por meio da obra "A Menina Solitária", ganhou o Prêmio Talento Helvético-Brasileiro no Salão do Livro de Genebra, na Suíça. Com a obra "As Periféricas", foi parar na Academia de Artes Independente de Boston, nos Estados Unidos, onde tomou posse como integrante da instituição.

Além disso, a escritora também tomou posse na Academia de Letras de Garanhuns, em Pernambuco, no dia 5 de dezembro de 2023, e recebeu uma nomeação na Academia de Letras de Goiás, em novembro de 2024.

O livro que vai levá-la para Angola é o que proporcionou a Angélica suas maiores conquistas. Nele, a autora direciona a linguagem para um universo que explora a diversidade e os sonhos, desenvolvendo uma temática voltada ao rompimento de barreiras.

A autora

Determinação e sonhos são palavras que se entrelaçam com a história de Angélica Paes. Ela transformou os obstáculos em oportunidades e hoje possui a própria editora, chamada Brapaes. Mulher negra, começou a escrever poesias aos nove anos de idade e já foi desacreditada por docentes devido aos transtornos que possui.

"Tinha muito medo de escrever na sala porque saía errado, mas eu amava as poesias e a escrita", revelou a artista.

Em sua jornada escolar, alguns educadores a viam como uma pessoa que não seria nada na vida e que não alcançaria o "sucesso". A escritora, que nasceu no Rio de Janeiro, mas atualmente mora em Petrópolis, já publicou 10 livros e transforma sua trajetória em uma ferramenta de inspiração para jovens e adultos que também enfrentaram desafios semelhantes.