Estelionatos crescem quase 40% em Petrópolis e acende alerta na Serra
Dados são do Instituto de Segurança Pública referentes aos dois primeiros meses
Por Gabriel Rattes
O número de casos de estelionato, crime conhecido popularmente como golpe, aumentou de forma expressiva em Petrópolis e em cidades da Região Serrana no início de 2026. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que, apenas nos dois primeiros meses do ano, Petrópolis registrou 540 ocorrências, contra 386 no mesmo período de 2025. O crescimento é de 39,9%.
O avanço também foi observado em outras cidades da região. Em Teresópolis, os casos passaram de 229 para 297 (alta de 29,7%). Já municípios menores, como Areal e Paraíba do Sul, também apresentaram aumento, ainda que em números absolutos menores. No total da região analisada, os registros subiram de 1.171 para 1.330, um acréscimo de 159 casos.
Por outro lado, Nova Friburgo foi na contramão e apresentou queda de 35% nos registros, passando de 340 para 221 ocorrências. Três Rios também teve leve redução: foram 116 casos em 2025, contra 114 em 2026.
Golpes digitais
O aumento dos estelionatos está diretamente ligado à expansão dos golpes financeiros, principalmente no ambiente digital. Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil aponta que metade dos brasileiros foi vítima ou alvo de tentativa de fraude nos últimos 12 meses — cerca de 18,8 milhões de pessoas.
Em Petrópolis, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis (CDL) reforça o alerta para consumidores e comerciantes. Segundo a entidade, os criminosos têm utilizado métodos cada vez mais sofisticados, dificultando a identificação das fraudes.
Entre os golpes mais comuns estão:
? pagamento antecipado por produtos que nunca são entregues (7%);
? transferências para compras em anúncios falsos (6%);
? envio de dinheiro para falsos contatos, muitas vezes se passando por conhecidos (5%)
Também são frequentes casos de invasão de contas em lojas virtuais e clonagem de cartões.
Estratégias utilizadas
As estratégias de abordagem mais utilizadas, segundo o CDL, incluem: o envio de links falsos para pagamento de produtos (17%), boletos fraudulentos de contas de consumo, como luz e telefone (9%), e pedidos de transferência via PIX feitos por criminosos que se passam por conhecidos (6%).
Para o presidente da CDL Petrópolis, Cláudio Mohammad, o crescimento desses casos está diretamente ligado à rapidez das transações digitais. "A tecnologia trouxe praticidade, mas também reduziu o tempo de reflexão do consumidor. Hoje, uma decisão tomada em segundos pode resultar em prejuízos significativos. Por isso, é fundamental desenvolver um comportamento mais cauteloso e crítico diante de qualquer solicitação financeira", afirma.
Dificuldade para recuperar prejuízos
Mesmo após cair em golpes, nem sempre as vítimas conseguem reverter a situação. Segundo o levantamento, 88% buscaram algum tipo de solução, como contato com bancos ou registro de ocorrência. Ainda assim, 28% afirmam não ter conseguido recuperar o dinheiro perdido.
Além do prejuízo financeiro, os impactos podem ser mais amplos. Cerca de 34% das vítimas tiveram o nome negativado, o que dificulta acesso a crédito e pode gerar problemas a longo prazo.
Prevenção
Apesar do cenário preocupante, há sinais de maior atenção por parte da população. Quase metade dos consumidores afirma desconfiar de contatos estranhos, enquanto 45% evitam propostas de dinheiro fácil.
Cláudio Mohammad reforça que a prevenção ainda é a melhor forma de evitar prejuízos. "O consumidor precisa utilizar todos os mecanismos de segurança disponíveis, como cartões virtuais, autenticação em duas etapas e biometria. Além disso, é essencial evitar redes Wi-Fi públicas para transações financeiras e nunca agir por impulso diante de mensagens com senso de urgência", orienta.