Sapataria de Petrópolis fecha após 58 anos
Alto custo com aluguéis foi um dos motivos do encerramento
Uma das lojas mais tradicionais de Petrópolis vai encerrar as atividades no próximo mês. A sapataria Chuá, com mais de 58 anos de história, fechará definitivamente no dia seis de abril. O estabelecimento funciona atualmente na Rua Paulo Barbosa, no Centro.
A decisão reflete um cenário de dificuldades enfrentado pelo comércio local. Segundo o vendedor Rogério Machado, que trabalha na loja desde 1998, o fechamento foi motivado por fatores como o alto custo dos aluguéis e a queda no movimento de clientes.
"Petrópolis caiu muito o movimento nos últimos anos, além disso, há pouco incentivo no comércio. A gente vem sofrendo, a cidade tem muitas lojas fechando, e acabou chegando a nossa vez. A nossa sapataria era localizada na Rua do Imperador, e em 2021 nós viemos para esse endereço. Nesse período, tentamos de tudo para manter a loja, mas não deu. Petrópolis está tudo muito difícil, as coisas são muito caras", afirmou.
A percepção de crise não é isolada. Moradores relatam dificuldades para manter negócios no município.
"Eu acho que tem muita loja fechando na cidade, eu acho que está bem difícil", disse o carpinteiro Cláudio Messias Sabino.
O aposentado Francisco Freire também avalia o momento como negativo.
"Na realidade, o que a gente vê são mais empresas e lojas fechando do que abrindo na cidade. Estamos passando por uma situação muito difícil no país. Nossa cidade não merece passar por um momento desse, nossa cidade é linda e tem diversos pontos positivos, mas empreender, infelizmente, não é um deles."
Dados do Painel do Mapa de Empresas, do Governo Federal, mostram que Petrópolis registrou, entre janeiro e fevereiro de 2026, a abertura de 1.542 empresas e o fechamento de 981. Em 2025, foram 7.605 empresas abertas e 4.928 encerradas. Atualmente, o município conta com 46.628 empresas ativas, sendo 2.661 no segmento de comércio varejista de vestuário.
Apesar do saldo positivo na abertura de empresas, o mercado de trabalho no setor apresenta sinais de alerta. Em janeiro, o comércio registrou 643 contratações e 830 desligamentos na cidade, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, resultando em saldo negativo de 187 vagas.
Para a advogada Ana Cristina Bittencourt, o alto custo dos aluguéis comerciais é um dos principais entraves para a permanência de empresas, além da concorrência com o comércio digital.
"Infelizmente nós observamos, em Petrópolis, uma decadência no comércio. Nós temos empresas muito antigas fechando as portas. São diversas questões para lidar, principalmente a situação atual do país, e é claro, o preço dos aluguéis. É muito lamentável ver onde a cidade está chegando", finaliza.
*Estagiário sob supervisão