Justiça determina que Estado instale DEAM em Petrópolis

Equipamento deve estar em funcionamento ainda neste ano, segundo a decisão

Por Richard Stoltzenburg - PETR

Petrópolis está na 9º posição com maior número de casos de violência doméstica

Por Leandra Lima

Uma decisão do juiz Jorge Luiz Martins, da 4ª Vara Cível de Petrópolis, determinou que o Governo do Estado do Rio de Janeiro instale, até 27 de agosto de 2026, a Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) no município.

O magistrado também ordenou que, até a data apresentada, a unidade deve estar em pleno funcionamento no regime de 24 horas ininterruptas durante todos os dias, incluindo os finais de semana. O não cumprimento pode levar a uma multa diária de R$ 50 mil.

Além disso, em um prazo de 30 dias, o Estado precisa demonstrar em juízo um plano detalhado, acompanhado de cronograma específico para a instalação e o efetivo funcionamento da DEAM, além de especificações contendo a definição do imóvel, as etapas da obra ou adaptação, a previsão de lotação de pessoal e a aquisição de equipamentos. Caso a decisão não seja cumprida, está prevista multa de R$ 30 mil.

Entenda o caso

Petrópolis é a 9ª cidade do Estado com maior número de casos de violência doméstica e familiar contra mulheres. Conforme apontam dados do Dossiê Mulher, foram 2.848 vítimas dessa tipificação em 2023. A porcentagem só aumentou ao longo dos anos. Somente em 2024, a Polícia Militar recebeu mais de 14 mil chamadas.

Em 2025, contabilizaram-se 8.485 violações, 1.223 denúncias e 704 protocolos relacionados a casos de violência. Já em 2026, dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) apontam que, até o dia 7 de fevereiro, o município contabilizou 88 protocolos, 157 denúncias e 1.168 violações de direitos contra mulheres.

Os casos vêm chamando a atenção dos órgãos públicos e, diante do cenário, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro (DPRJ) ajuizou, em agosto de 2025, uma ação civil em caráter de urgência, cobrando do Estado medidas que assegurassem a instalação, em até 180 dias, da primeira Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) em Petrópolis.

O documento tramitou na 4ª Vara Cível

A medida foi assinada pela coordenadora do Núcleo Especial de Defesa dos Direitos da Mulher e de Vítimas de Violência de Gênero (Nudem), defensora Thais dos Santos Lima, e pelo defensor responsável pelo 8º Núcleo Regional de Tutela Coletiva (NRTC), Lucas Aparecido Alves Nunes.

Outros órgãos em defesa

Anterior à Defensoria, representantes femininas de diversos setores de Petrópolis vinham buscando e ressaltando a importância de equipamentos que atuem de forma efetiva no combate e no acolhimento dessas mulheres, para que o ciclo da violência seja rompido.

Como exemplo das articulações, há a Comissão da OAB Mulher da 3ª Subseção da OAB/RJ - Petrópolis/São José do Vale do Rio Preto, que lançou um abaixo-assinado para cobrar ações efetivas do Governo Estadual e Municipal, indagando a necessidade, frente ao alto índice de crimes cometidos contra mulheres na cidade, em particular no contexto de violência doméstica e familiar.

Desde 2022

O tópico vem sendo levantado desde 2022, quando foi sancionada pelo governador do Estado, Cláudio Castro, a lei que autoriza a implementação da entidade na cidade, tendo como ressalva o firmamento de convênios com entes públicos para o referido custeio.

Com base na sanção, a OAB ressaltou a importância de um atendimento específico para as vítimas de violência, que vai além das paredes da DEAM, que é vista como uma ferramenta para criação de políticas públicas, e questionou a demora da adesão do município para criar a sede.

O que diz o Estado

Em resposta, o Estado informou que a 105ª DP (Petrópolis) conta com um Núcleo Integrado de Atendimento à Mulher (Niam). A unidade está reforçada com policiais civis capacitados para o atendimento especializado às vítimas, além de instalações próprias para isso.

Apesar da alegação, o juiz Jorge Luiz enfatizou que o Niam funciona apenas como um setor burocrático dentro de uma delegacia comum e apontou que isso acaba levando a um processo de revitimização institucional, o que não acolhe a vítima e a deixa insegura.

Em razão da decisão, o Governo do Estado não informou sobre possíveis ações até o final desta edição.