Repasses ao Gaape atrasados há três meses
Cerca de 500 famílias atípicas podem ficar sem assistência
O Grupo Amigos dos Autistas de Petrópolis (GAAPE), que atende cerca de 500 famílias atípicas, pode ter os atendimentos comprometidos devido ao atraso nos repasses municipais da Prefeitura de Petrópolis. A denúncia foi feita pela coordenadora técnica, Márcia da Silva Loureiro, que informou que os profissionais da área da saúde não vêm recebendo os pagamentos em dia há cerca de três meses.
A instituição tem outros convênios com a Prefeitura que também vêm apresentando instabilidades. "O GAAPE, para receber o salário dos profissionais, tem que ficar com pires na mão, pedindo todo mês. A Secretaria de Saúde, o último foi em novembro, há três meses que não tem. A Secretaria de Educação atrasou. As emendas municipais não chegaram. O convênio com a Secretaria de Assistência Social informou que um mês é onze meses. Qual é o profissional que vai trabalhar onze meses sem carteira assinada, sem vale-transporte e salário, só no amor?", relatou Márcia.
O GAAPE trabalha em rede em conjunto com a Prefeitura. Segundo a coordenadora, a situação impacta diretamente os assistidos, que recebem apoio jurídico, clínico e social dentro do grupo. "O impacto sofre todo mundo. Uma instituição que tem 500 famílias envolvidas e 65 profissionais, se parar, a Prefeitura vai ter que dar conta de todos eles", ressaltou. Márcia enfatiza que, apesar da situação, os profissionais continuam trabalhando para garantir a assistência aos pacientes e expressa que a falta de comunicação e transparência do órgão público é um descaso para com o grupo. "Situações de descaso mesmo com quem está trabalhando. Não falo dos profissionais da Prefeitura, com quem trabalhamos em rede. Temos parcerias em rede maravilhosas da Prefeitura. Falo da gestão. Tenho que pagar os funcionários", contou
A parlamentar Gilda Beatriz (PP) informou que existem R$ 1,5 milhão de emenda federal destinada pelo deputado federal Hugo Leal para 13 instituições do município e que o valor já está na conta da Prefeitura desde outubro.
Diante da alegação, a coordenadora refutou, dizendo que não houve essa situação. "A gente tem também os convênios da Secretaria de Educação, as emendas, tudo que envolve eles, temos em prestação de contas", informou.
De acordo com Márcia da Silva Loureiro, não foi só o GAAPE que foi afetado, outras instituições, como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), também enfrentam dificuldades.
A Prefeitura informou que os repasses vêm sendo realizados com regularidade, conforme previsto, e alegou que a situação se dá pelo atraso na entrega e pelas inconsistências na documentação de responsabilidade da instituição, que têm impactado o andamento do processo e, consequentemente, a liberação do pagamento.
