Região Serrana mobilizada em prol de apoios às vitimas em Minas

Bombeiros encerraram buscas e 72 mortes foram confirmadas no estado

Por Richard Stoltzenburg - PETR

Buscam em Juiz de Fora foram encerradas no último sábado (28/02)

Por Leandra Lima

Devido à tragédia socioambiental que assola o Estado de Minas Gerais, em decorrência das fortes chuvas que atingiram os municípios de Juiz de Fora e Ubá, entre segunda-feira (23) e terça-feira (24), cidades da Região Serrana do Rio de Janeiro mobilizam campanhas de doação para envio de ajuda às famílias atingidas.

Em Petrópolis, a Associação Comercial e Empresarial de Petrópolis (ACEP) vem apoiando a ação do Petrópolis Convention & Visitors Bureau (PCVB), que, em parceria com o Convention de Juiz de Fora, está arrecadando donativos destinados aos afetados. Os itens prioritários são: água; alimentos não perecíveis; produtos de higiene e limpeza; roupas e fraldas. As doações podem ser entregues no endereço: Rodoviário Camilo dos Santos - Unidade Petrópolis / Estrada BR-040, KM 56 - Galpão 06, Distrito de Itaipava.

A Prefeitura da cidade também está realizando uma campanha que começa nesta segunda-feira (02). Os principais donativos a serem recolhidos são: água mineral, produtos de limpeza e material de higiene pessoal. Os materiais podem ser entregues a partir de três pontos na cidade: Secretaria de Assistência Social (Avenida Ipiranga, 163), Centro de Cidadania (Estrada União e Indústria, 11.860) e Defesa Civil (Rua Buarque de Macedo, 128).

O prefeito Hingo Hammes se colocou à disposição para colaborar e relembrou que a cidade já vivenciou momentos delicados por conta de tragédias socioambientais. "Nossa cidade já viveu situações de dor como essa e sabe a importância de toda contribuição possível", disse.

Nova Friburgo também está ativa. Além das doações, equipes técnicas da Defesa Civil vão apoiar nas movimentações em Juiz de Fora. Essa foi a determinação do prefeito Johnny Maycon, que, na última quinta-feira (26), ligou para o Sr. Marcelo Detoni, vice-prefeito de Juiz de Fora, que mencionou que estavam precisando de maquinário e técnicos, como engenheiros e geólogos, para auxiliar nos trabalhos de reconstrução da região.

A campanha de arrecadação foca nos itens mais necessários: materiais de limpeza, água mineral, produtos de higiene pessoal, fraldas (infantil e geriátrica), biscoitos e ração para cães. As doações poderão ser feitas até o dia 03 de março, com ponto de coleta na Secretaria de Gabinete, na Prefeitura. 

O município de Bom Jardim, apesar de ter sido atingido por fortes chuvas e ficar debaixo d'água na última quinta-feira (26), está recolhendo, na sede da Secretaria Municipal de Assistência Social (Rua Miguel de Carvalho, 158), água potável e alimentos não perecíveis para envio a Minas Gerais.

Paraíba do Sul e Três Rios também seguem empenhados no envio de doações ao estado mineiro.

Em Paraíba do Sul, por meio da Secretaria de Assistência Social, foi possível arrecadar muitos produtos, especialmente de limpeza. Conforme enfatizou Léo Corrêa, secretário da pasta, as fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora deixaram muitas famílias desamparadas, principalmente entre aqueles que já vivem em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Em Três Rios, o prefeito Jonas Dico mobilizou os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) do município para recebimento de doações.

Chuvas no interior do Rio

Bom Jardim registrou, na última semana, entre quarta-feira (25) e quinta-feira (26), diversos pontos de alagamentos em razão da chuva. Na ocasião, um homem ficou parcialmente soterrado após o desabamento de uma casa. O Corpo de Bombeiros foi acionado e o retirou do local. A Prefeitura informou que as equipes municipais realizaram ações de monitoramento, desobstrução e liberação de vias, limpeza de ruas, retirada de árvores e barreiras, além da assistência às famílias atingidas pelos alagamentos.

Diante da situação, foi instituído o Gabinete de Crise, que definirá as estratégias para recuperação dos pontos afetados e o suporte à população. Não houve registro de vítimas fatais, segundo as autoridades.

Três Rios também teve diversos pontos de alagamento em diferentes localidades. O município registrou, entre quarta-feira (25) e quinta-feira (26), um acumulado pluviométrico de 110 milímetros. A Defesa Civil contabilizou três ocorrências, sem necessidade de interdição de imóveis, até a última atualização. O órgão informou que o bairro Vila Isabel foi o mais impactado, com destaque para Palmital, Jaqueira e Vila Nova.

Crise climática x saúde

Cidades debaixo d'água, deslizamentos, famílias desalojadas e insegurança climática são cenas recorrentes no Brasil, principalmente na Região Serrana, em especial Petrópolis, que, em 2024, liderou o ranking nacional com maior número de ocorrências de deslizamentos e inundações.

Nos últimos anos, aconteceram grandes episódios em solo petropolitano que ficaram guardados na memória, como o fatídico 15 de fevereiro e 20 de março de 2022. Na ocasião, uma tragédia socioambiental atingiu a cidade, deixando 235 mortos e cerca de quatro mil desabrigados. O cenário levanta um debate sobre o modelo de "pólis" no qual a região está inserida, pois há um grande histórico de desastres, como o Vale do Cuiabá, em 2011, que deixou 72 mortos.

Todo o cenário englobando territórios nacionais destaca a vulnerabilidade das cidades frente aos desastres socioambientais, reforçando a importância da criação de políticas de enfrentamento, que se entrelaçam ao conceito de "justiça climática" e ao racismo ambiental, em razão da maior parcela atingida pelo impacto dos desastres.

Ambos versam sobre as desigualdades enfrentadas pela falta de políticas públicas voltadas à população mais vulnerável quando se trata de espaços na sociedade. Em sua maioria, esses grupos são afetados diretamente pela degradação ambiental, sendo expostos a riscos nocivos à saúde, pois são atingidos por enchentes, poluição, entre outras situações causadas pela falta de infraestrutura.

Um recorte que vem junto com essas questões é o impacto na saúde física e mental das pessoas, principalmente dos jovens. Atualmente, termos como ansiedade climática e ecoansiedade vêm sendo colocados em pauta na sociedade por especialistas. O tema trata de uma angústia que surge das crises climáticas, pois não há garantias do que pode ocorrer no futuro na região onde estão inseridos. O racismo ambiental pode aguçar ainda mais essa questão. Viver em uma realidade onde não se tem estrutura para lidar com desastres tende a adoecer mentalmente grande parte da população.

As buscas em Juiz de Fora foram encerradas pelo Corpo de Bombeiros após identificarem o corpo do menino de nove anos que estava entre os escombros no bairro Palmeiras. Com a identificação da vítima, após seis dias de buscas, foram registradas 72 vítimas em todo o Estado de Minas gerais em decorrência da chuva.