Saúde de Petrópolis acumula dívida de R$ 17 milhões
Superintende alegou que débitos podem afetar novas licitações da pasta
Por Leandra Lima
A saúde municipal de Petrópolis acumula uma dívida de cerca de R$ 17 milhões, valor que vem sendo acumulado desde 2018. O montante, herdado de gestões anteriores, foi apresentado no Relatório de Gestão da Saúde do terceiro quadrimestre de 2025, durante audiência pública realizada nesta terça-feira (24), na Câmara Municipal.
Segundo o superintendente de Planejamento e Apoio à Gestão da Saúde, Carlos Silva, o passivo impacta diretamente o fluxo de caixa da pasta e pode gerar dificuldades em processos de licitação e na contratação de fornecedores. "Temos dívidas desde 2018. As anteriores vão sendo pagas, mas isso causa impacto muito grande na saúde. Às vezes envolve fornecedor e pode ocasionar problemas na hora de uma licitação ou em atividades necessárias", explicou.
Apesar do cenário financeiro, a Secretaria de Saúde informou que aplicou 19% da receita própria em saúde no período, percentual acima do mínimo constitucional de 15%. No terceiro quadrimestre de 2025, a pasta contou com R$ 176,8 milhões em receitas, sendo R$ 38 milhões de recursos próprios, R$ 31 milhões estaduais, R$ 105 milhões federais e R$ 1 milhão de capital. A maior parte dos recursos é oriunda da União.
Fila de exames
Durante a audiência, vereadores apontaram problemas como falta de insumos, medicamentos e aumento na fila de exames, principalmente na área de saúde da mulher.
Entre o segundo e o terceiro quadrimestres de 2025, houve aumento expressivo em diversas modalidades. A fila para ecocardiografia transtorácica saltou de 907 para 12.515 pacientes. A ultrassonografia de abdome total passou de 1.937 para 5.176. Já a ultrassonografia transvaginal subiu de 2.074 para 4.828.
A vereadora Professora Lívia (PCdoB) destacou o crescimento nas filas de exames preventivos. Segundo ela, a demanda por mamografia e ultrassonografia de rastreio mais que dobrou, especialmente entre mulheres acima de 50 anos. "A recomendação é a partir dos 40 anos. Temos uma parcela da população que ainda não está sob rastreio. A fila cresceu e ainda há uma década fora da cobertura adequada", afirmou.
Também houve aumento na espera por consultas, com maior concentração em ortopedia e traumatologia (6.032), psicologia (4.309), dermatologia (4.145) e pré-avaliação para colonoscopia (3.345).
Sobre a mamografia, o secretário de Saúde, Aloísio Barbosa, explicou que o crescimento da fila ocorreu devido à manutenção do aparelho, que reduziu a produtividade. Ele acrescentou que o Ministério da Saúde ampliou a faixa etária do exame na rede pública, passando a contemplar mulheres a partir dos 40 anos, o que aumentou a demanda.
Falta de medicamentos
A falta de medicamentos também foi tema de questionamento. A vereadora citou a ausência do Prolia e de anticoncepcionais em unidades de saúde. A Secretaria informou que os atrasos estão ligados a dificuldades de repasse estadual e renegociações com fornecedores, em razão da situação financeira do município.
"Essa fragilidade financeira acabou gerando dívidas. Chamamos fornecedores, negociamos, mas houve atraso no pagamento de empenhos", disse o secretário.
A crise financeira também afeta a estrutura hospitalar. Um dos casos recentes foi o elevador do Hospital Nelson de Sá Earp, que ficou três semanas parado, prejudicando o acesso ao Centro de Recuperação de Adultos (CRA). Pacientes com dificuldade de locomoção não conseguiam subir aos pavimentos, o que impactou internações e altas.
Após ofício da OAB Petrópolis, o equipamento foi consertado, mas apresentou nova falha dois dias depois. Segundo o secretário, está em andamento processo de licitação para aquisição de um novo elevador. A previsão é que o atual volte a funcionar no dia 1º de março.
Sobre os leitos de UTI e retaguarda, o Hospital Clínico de Corrêas (HCC) foi citado como unidade estratégica. No entanto, a instituição já enfrentou atrasos de repasses, que chegaram a R$ 26 milhões no ano passado. Durante a sessão, o secretário informou que um novo grupo assumiu a administração do hospital e pediu "crédito de confiança" à população para regularizar a situação e aliviar a rede pública.
