Comerciantes enfrentam novos prejuízos

Lojistas passaram parte da quarta-feira limpando os estabelecimentos

Por Richard Stoltzenburg - PETR

Parte dos itens foram danificados após a entrada das águas

Por Evelyn Carvalhais

As fortes chuvas que atingiram Petrópolis desde a madrugada desta quarta-feira (17) voltaram a causar alagamentos, deslizamentos e transtornos em diversos bairros da cidade, afetando diretamente moradores e comerciantes. Em poucas horas, ruas e lojas ficaram submersas, casas foram destelhadas e famílias precisaram deixar suas residências.

De acordo com a Defesa Civil, equipes do órgão, da Comdep e do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas para atender ocorrências provocadas pelo temporal, como quedas de árvores, deslizamentos de encostas, alagamentos e inundações. Seis famílias tiveram que sair de casa e foram encaminhadas para um ponto de apoio no bairro Siméria.

Mesmo quando a chuva deu uma trégua, o clima de insegurança permaneceu. Os  comerciantes lidavam com os prejuízos e a incerteza sobre a retomada das atividades. Em apenas 24 horas, os acumulados de chuva ultrapassaram os 170 milímetros em regiões como São Sebastião e Independência, o que atrasou a reabertura de lojas.

Nas áreas comerciais atingidas, o sentimento era de desamparo diante de uma situação que, segundo os lojistas, se repete ano após ano. O período, que costuma registrar maior movimento por conta da proximidade das festas de fim de ano, foi novamente marcado por perdas.

O proprietário da Ótica King, Vinicius Souza, relatou que a água invadiu o estabelecimento e causou danos, embora menores do que em outros episódios.

"Aqui na loja entrou cerca de 30 centímetros de altura de água. Não tivemos muitos prejuízos materiais, mas documentos, estojos de óculos, essas coisas. Hoje fizemos, na parte da manhã, toda a limpeza e agora estamos fechando a loja pra ir pra casa, pra amanhã trabalhar normalmente", afirmou.

Além dos danos materiais, o impacto emocional também é evidente. Funcionários e proprietários se revezaram na limpeza dos estabelecimentos, tentando retomar a rotina, mesmo diante do desgaste causado por sucessivos episódios de alagamento.

Sócio da loja Estação do Grão, Eduardo Sette contou que, apesar das medidas de proteção adotadas, a força da água foi maior. "Por mais que a gente tenha comportas e tudo mais, mesmo assim não conseguiu segurar. A água foi bastante, então acabou alagando a nossa loja. A gente teve a perda de algumas mercadorias, infelizmente, mas estamos trabalhando aqui, revitalizando a loja, para amanhã estar funcionando normalmente", disse.

Para ele, o problema é recorrente e evidencia a falta de soluções estruturais na cidade. "É complicado demais, porque isso é um problema recorrente da cidade. Não é a primeira vez que a nossa loja sofre com essa situação e a gente acaba vendo que nada é feito sobre isso. Pelo menos a nossa perda foi material. Pior ainda são as pessoas que se acidentam, sofrem e perdem parentes", desabafou.