Revitalizar o passado para transformar o presente
Revitalizar o passado para transformar o presente
A iniciativa anunciada para a Campinas Decor 2027 oferece uma oportunidade importante para discutir uma questão que vai muito além da arquitetura e da decoração. Trata-se de uma parceria que transforma o interesse empresarial em um instrumento de recuperação do patrimônio público e de requalificação urbana.
A escolha de dois imóveis históricos no Centro de Campinas, o antigo Instituto de Letras e o prédio que abrigou a Sociedade Israelita Brasileira Beth Jacob, coloca a mostra diante de uma responsabilidade que a própria trajetória do evento demonstra ser possível cumprir.
As construções serão preparadas para receber a exposição e, depois, devolvidos à Sociedade Campineira de Educação e Instrução (SCEI) revitalizados. As intervenções devem priorizar redes elétrica e hidráulica, pisos, revestimentos e outros elementos, preservando as características originais dos imóveis.
O mérito da proposta está justamente nessa equação. A Campinas Decor precisa de espaços que valorizem os seus ambientes, profissionais, patrocinadores e marcas. Os proprietários, por sua vez, recebem imóveis recuperados. E a cidade ganha aquilo que talvez seja o principal resultado da iniciativa, o patrimônio preservado e novamente ocupado.
Não se trata de filantropia pura, tampouco de negar o caráter comercial de uma mostra que movimenta profissionais, fornecedores, empresas e consumidores. Trata-se de reconhecer que interesses diferentes podem convergir para produzir um benefício coletivo. É uma lógica que Campinas deveria estimular mais.
As experiências anteriores provam que não é uma promessa vazia. Ao longo de cerca de 30 anos, a Campinas Decor participou da recuperação de dez imóveis públicos, com investimentos estimados em R$ 47,5 milhões, além de intervenções em propriedades privadas de relevância histórica.
O momento é particularmente oportuno, visto que Campinas empenha-se em recuperar a vitalidade de seu Centro, onde prédios importantes convivem com imóveis subutilizados, degradados ou fechados. A própria Prefeitura mantém mecanismos voltados à recuperação de edificações antigas na região central.
O exemplo da Campinas Decor confirma que a revitalização não precisa depender única e exclusivamente dos cofres públicos. Empresas, instituições, proprietários e o poder público podem encontrar novos caminhos e modelos em que todos ganham, incluindo a memória da cidade.
Preservar um prédio histórico não significa transformá-lo em peça de museu. Significa permitir que ele volte a ter função, circulação e significado. O Centro precisa de pessoas, negócios, cultura e atividades que devolvam a vida a ele.
Sempre que o interesse empresarial puder ser associado a esse objetivo, o resultado será o de uma parceria carregada de inúmeras vantagens para ambos os lados.