Tarifaços podem levar Trump a perder Congresso

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A decisão de Donald Trump de ampliar tarifas sobre produtos importados, sob o argumento de proteger a indústria e os empregos norte-americanos, inaugura mais um capítulo de sua política econômica baseada no confronto. Mas a reação de 25 estados dos Estados Unidos, que recorreram à Justiça para contestar o novo tarifaço, revela que a disputa já ultrapassou o campo comercial e se transformou em um problema político interno de grandes proporções.

Embora o protecionismo dialogue diretamente com parte do eleitorado de Trump, especialmente em regiões industriais afetadas pela concorrência estrangeira, os impactos econômicos das tarifas tendem a atingir empresas, produtores rurais e consumidores americanos. O aumento dos custos de importação pode pressionar a inflação, reduzir a competitividade de setores dependentes de insumos estrangeiros e provocar retaliações comerciais de parceiros internacionais. Quando isso ocorre, o discurso nacionalista perde força diante do bolso do cidadão.

A ofensiva judicial liderada por estados governados por democratas, e também por alguns administrados por republicanos preocupados com os efeitos econômicos locais, demonstra que o descontentamento extrapola as divergências partidárias. Governadores, empresários e entidades do setor produtivo argumentam que a política tarifária concentra excessivo poder no Executivo e compromete economias estaduais fortemente integradas ao comércio internacional.

Do ponto de vista político, Trump enfrenta um duplo desafio. O primeiro é jurídico: caso os tribunais imponham limites à medida, sua imagem de líder capaz de agir sem restrições sofrerá desgaste. O segundo é eleitoral. Se os efeitos do tarifaço forem traduzidos em preços mais altos, queda nos investimentos e perda de mercados externos, adversários terão um argumento poderoso para responsabilizar diretamente a Casa Branca pelos prejuízos.

Ainda assim, seria precipitado decretar um enfraquecimento definitivo do presidente. Trump construiu sua trajetória justamente transformando embates institucionais em combustível político, apresentando-se como vítima de uma elite burocrática e judicial que, segundo sua narrativa, tenta impedir mudanças profundas. A judicialização poderá, portanto, reforçar a mobilização de sua base mais fiel.

O desfecho dessa disputa dependerá menos dos discursos e mais dos resultados concretos. Se a economia absorver os impactos e os empregos forem preservados, Trump poderá reivindicar o sucesso de sua estratégia. Mas, se os custos recaírem sobre consumidores e empresas americanas, o tarifaço poderá deixar de ser uma demonstração de força para se transformar em um dos maiores passivos políticos de seu governo.