Conhecer a saúde pode ser o primeiro passo

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A abertura da coleta da Pesquisa Nacional de Saúde 2026, conduzida pelo IBGE, é uma notícia que merece atenção para além do campo estatístico. Em um país marcado por desigualdades profundas e desafios persistentes na saúde pública, produzir informação de qualidade é condição básica para planejar, corrigir rumos e salvar vidas.

Ao visitar cerca de 140 mil domicílios em todos os estados, a pesquisa vai muito além de levantar números.

Ela permitirá traçar um retrato amplo e atualizado da saúde dos brasileiros, identificando a incidência de doenças crônicas, hábitos de vida, acesso aos serviços, condições de envelhecimento e outros indicadores decisivos para a formulação de políticas públicas.

Em saúde, conhecer a realidade não é um exercício acadêmico, é o primeiro passo para transformá-la.

O valor desse levantamento está justamente em oferecer ao poder público uma base objetiva para a tomada de decisões. Num país de dimensões continentais, não há espaço para improviso nem para políticas guiadas por impressões genéricas. A gestão da saúde exige evidências, acompanhamento contínuo e capacidade de reconhecer diferenças regionais, sociais e epidemiológicas. Sem esse diagnóstico, o risco é repetir erros, desperdiçar recursos e perpetuar desigualdades.

Mas a coleta de dados, por si só, não basta. O desafio brasileiro também está na forma como essas informações são organizadas, compartilhadas e utilizadas. Ainda hoje, milhões de cidadãos enfrentam a fragmentação dos registros clínicos entre hospitais, postos de saúde, laboratórios e diferentes redes de atendimento.

Exames se repetem, históricos médicos se perdem e profissionais são obrigados a decidir com base em informações incompletas.

É por isso que a modernização e a integração dos sistemas de saúde devem ser tratadas como prioridade estratégica. Um prontuário eletrônico nacional, interoperável e acessível aos profissionais autorizados, representaria um salto de qualidade. Além de reduzir custos e evitar desperdícios, essa medida pode acelerar diagnósticos, melhorar a continuidade do cuidado e aumentar a segurança do paciente. Em outras palavras, tecnologia em saúde não é apenas eficiência administrativa: é instrumento direto de proteção à vida.