Carros elétricos em alta. Infraestrutura em baixa

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O crescimento das vendas de veículos elétricos no Brasil representa uma mudança importante na mobilidade urbana e na forma como a sociedade encara a sustentabilidade. Incentivados por novas tecnologias, maior oferta de modelos e custos de operação mais baixos, esses automóveis deixam de ser um nicho para ocupar espaço crescente nas ruas. Entretanto, a velocidade dessa transformação não encontra correspondência no planejamento da infraestrutura urbana, especialmente nos estacionamentos de condomínios, centros comerciais, supermercados, hotéis e edifícios corporativos.

Enquanto o mercado automotivo acelera, boa parte do setor imobiliário e dos estabelecimentos comerciais continua presa a um modelo concebido para veículos exclusivamente movidos a combustíveis fósseis. A instalação de pontos de recarga ainda é tratada como diferencial, quando deveria ser encarada como uma necessidade iminente. O resultado é um cenário contraditório: consumidores investem em tecnologia limpa, mas encontram dificuldades para recarregar seus veículos durante atividades rotineiras, como trabalhar, fazer compras ou frequentar espaços de lazer.

Essa ausência de planejamento revela uma visão de curto prazo. Novos empreendimentos continuam sendo entregues sem infraestrutura elétrica adequada para suportar carregadores, obrigando futuras adaptações que serão mais caras e complexas. Nos condomínios já existentes, síndicos e administradoras enfrentam dúvidas técnicas e jurídicas que poderiam ser minimizadas por normas mais claras e incentivos específicos.

O problema não está apenas na oferta insuficiente de eletropostos em rodovias ou vias públicas. A verdadeira oportunidade encontra-se nos estacionamentos privados, locais onde os veículos permanecem por horas. Um shopping center, por exemplo, pode transformar o tempo de permanência do cliente em tempo de recarga. O mesmo vale para edifícios comerciais, universidades, hospitais e condomínios residenciais. A ausência dessa estrutura representa uma perda tanto para o consumidor quanto para o próprio empreendimento, que deixa de agregar valor ao serviço oferecido.

O Brasil possui potencial para liderar a eletrificação da mobilidade, impulsionado por uma matriz energética predominantemente renovável. Contudo, essa vantagem competitiva será desperdiçada se a expansão dos veículos elétricos continuar desacompanhada de políticas públicas, incentivos regulatórios e investimentos privados em infraestrutura.