Terremoto mostra os males da Venezuela na saúde
Os terremotos que atingiram a Venezuela deixaram um rastro de destruição que vai muito além de edifícios rachados e ruas interditadas. Entre os danos mais preocupantes está o impacto sobre o sistema de saúde, já fragilizado por anos de dificuldades estruturais. Com nove hospitais danificados e a redução dos postos e locais de atendimento à população, a tragédia natural transforma-se rapidamente em uma crise humanitária de grandes proporções.
Em situações de desastre, a capacidade de resposta dos serviços de saúde representa a diferença entre salvar vidas e ampliar o número de vítimas. Quando hospitais deixam de funcionar plenamente, cirurgias são adiadas, pacientes crônicos ficam sem acompanhamento, gestantes encontram obstáculos para receber assistência e pessoas feridas enfrentam longas distâncias em busca de atendimento. A interrupção desses serviços multiplica os efeitos da catástrofe muito além do momento em que os tremores cessam.
O caso venezuelano evidencia um problema recorrente em países expostos a eventos extremos: a falta de infraestrutura resiliente. Hospitais não podem ser tratados como construções comuns. Devem ser projetados, mantidos e preparados para permanecer operacionais justamente quando a população mais necessita deles. A perda de unidades de atendimento compromete não apenas a resposta imediata aos desastres, mas também a capacidade de controlar surtos de doenças, garantir vacinação, fornecer medicamentos e atender emergências cotidianas.
A diminuição dos postos de saúde agrava ainda mais a desigualdade no acesso aos serviços. Comunidades mais afastadas ou vulneráveis tornam-se praticamente isoladas, obrigando famílias a enfrentar deslocamentos maiores, custos adicionais e demora no atendimento. Em um cenário de crise, esses fatores podem ser determinantes para o agravamento de quadros clínicos que seriam plenamente tratáveis em condições normais.
Diante desse cenário, a resposta das autoridades nacionais precisa ser rápida, transparente e coordenada com organismos internacionais e entidades humanitárias. A reconstrução das unidades deve ser acompanhada da instalação de hospitais de campanha e do fortalecimento da atenção básica.