O preço da negligência
A operação realizada pelo Governo de São Paulo para fiscalizar pontos de prática de rope jump e bungee jump representa um passo importante para ampliar a segurança em atividades de aventura. O problema é que, mais uma vez, a mobilização veio depois que uma tragédia chocou o Estado.
A morte da jovem de 21 anos durante um salto na Ponte do Esqueleto, em Limeira, revelou falhas que vão muito além de um acidente. As investigações apontam para possível negligência na organização da atividade, ausência de equipamentos essenciais e descumprimento de procedimentos básicos de segurança. O episódio evidenciou um cenário que, embora conhecido, permanecia distante da fiscalização efetiva.
Esportes de aventura fazem parte da realidade de milhares de pessoas e não devem ser tratados como inimigos. O risco é inerente a muitas modalidades, mas isso não significa que possa ser ampliado pela irresponsabilidade. Empresas que oferecem esse tipo de experiência têm o dever de seguir protocolos rigorosos, utilizar equipamentos certificados e orientar adequadamente seus clientes. Da mesma forma, quem decide praticar atividades de alto risco deve verificar a idoneidade da empresa e as condições de segurança antes do salto.
Cabe ao poder público exercer seu papel fiscalizador. Ainda que o rope jump não possua regulamentação específica no Brasil, isso não impede a atuação preventiva dos órgãos responsáveis. Ao contrário: a ausência de regras claras torna ainda mais necessária uma fiscalização constante para identificar irregularidades e evitar novas tragédias.
A força-tarefa demonstra que há capacidade de atuação integrada entre Polícia Militar, Procon, Defesa Civil e prefeituras. O ideal, porém, é que esse trabalho não seja apenas uma resposta ao caso de Limeira, mas se transforme em política permanente de prevenção.
Infelizmente, o Brasil ainda convive com uma cultura em que grandes acidentes costumam anteceder mudanças. Primeiro vem a tragédia; depois surgem as operações e as promessas de fiscalização. O correto seria justamente o contrário. Fiscalizar antes, exigir responsabilidade e agir preventivamente são atitudes que salvam vidas.
Que a morte da jovem em Limeira não seja lembrada apenas como mais um episódio lamentável, mas como o marco de uma mudança definitiva. Em atividades de risco, prevenção nunca deve ser consequência. Deve ser prioridade.