Em guerra avisada, "morre" quem não tem escolha

Em guerra avisada, "morre" quem não tem escolha…

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A superlotação dos hospitais de Campinas voltou mais uma vez às manchetes dos jornais. O motivo? Prontos-socorros operando muito acima da capacidade, pacientes em macas nos corredores e autoridades cobrando a abertura urgente de novos leitos. O cenário preocupa e exige respostas rápidas, entretanto, impõe uma reflexão inevitável: até que ponto essa situação era realmente imprevisível?

A pressão sazonal sobre a rede de saúde não é novidade. Todos os anos, especialmente nos períodos de inverno, aumentam os casos de doenças respiratórias, agravamentos de enfermidades crônicas e a procura por atendimentos de urgência. O crescimento populacional da Região Metropolitana de Campinas (RMC), a centralização de serviços de alta complexidade na metrópole e o envelhecimento da população são fatores conhecidos e previsíveis.

Quando uma situação se repete ano após ano, deixa de ser "uma emergência" e passa a exigir um planejamento eficiente.

É notório que gestores municipais, estaduais e hospitais funcionam driblando limitações financeiras, burocráticas e estruturais. No entanto, justamente por conhecerem os períodos de maior demanda, deveriam criar mecanismos permanentes de contingência, capazes de serem acionados antes que a ocupação alcance os atuais níveis críticos.

Ampliação temporária de leitos, contratação emergencial previamente planejada, fortalecimento da atenção básica e integração regional mais eficiente são ações que não podem depender apenas da urgência de um período previsível de alta demanda.

A cobrança da Prefeitura ao Estado por mais leitos é legítima. Campinas atende, além dos habitantes da urbe, pacientes de dezenas de municípios da região, exercendo papel estratégico na rede pública de saúde.

Contudo, a discussão não pode se limitar à abertura emergencial de vagas quando a crise já está instalada.

Experiência recente demonstra que a capacidade de expansão existe. Durante a pandemia, leitos foram criados em curto espaço de tempo, profissionais foram contratados e estruturas foram adaptadas para enfrentar uma demanda extraordinária. A experiência deveria ter servido para consolidar protocolos permanentes de resposta rápida na área da saúde.

A população espera mais do que soluções emergenciais. Espera previsibilidade, coordenação e planejamento. Afinal, quando o sistema de saúde chega ao limite, quem paga o preço não são os gestores, mas sim os pacientes que aguardam atendimento em uma situação de alta fragilidade.

Crises acontecem, mas o que não pode acontecer é sermos surpreendidos por circunstâncias totalmente previsíveis, por problemas que já estavam anunciados.