Poupatempo jamais deveria ter saído
Poupatempo volta para onde jamais deveria ter saído
A decisão de abrir novamente uma nova unidade do Poupatempo no Centro de Campinas, desta vez no futuro Palácio da Cidade, merece ser recebida como uma excelente notícia para a população.
Mais do que a abertura de um posto de serviços, trata-se da correção de uma deliberação que, desde a sua implementação, gerou questionamentos legítimos sobre acessibilidade, mobilidade urbana e inclusão social.
Por mais de duas décadas, o Poupatempo, que ficava na da Av. Francisco Glicério, foi um dos principais pontos, e o mais democrático, para o atendimento público.
Sua localização permitia o fácil acesso por ônibus saídos de praticamente todas as regiões de Campinas. Em 2020, entretanto, o Governo de São Paulo anunciou o encerramento definitivo da unidade, justificando a medida devido ao alto custo do aluguel, redução da demanda e pela estratégia de concentrar os serviços em outras estruturas.
A decisão não foi bem recebida pela população, comerciantes e lideranças locais.
A transferência da maior parte dos atendimentos para o Campinas Shopping nunca foi uma unanimidade. Embora a unidade tenha mantido a prestação dos serviços, o deslocamento até a região do Jd. do Lago nem de longe é fácil para milhares de moradores da metrópole.
As reclamações se multiplicaram ao longo dos anos.
A reação negativa também se refletiu no debate público.
O fechamento do posto da Glicério foi frequentemente mencionado como símbolo do esvaziamento do Centro.
Comerciantes relataram perda significativa de movimento após a saída do serviço.
Por isso, o anúncio do retorno do Poupatempo ao coração da cidade deve ser celebrado. A decisão representa a retomada de uma lógica elementar de serviço público: estar onde as pessoas estão.
A previsão de até 12 mil pessoas circulando mensalmente pelo local e quase 8 mil atendimentos por mês indica potencial para fortalecer o comércio, estimular a ocupação dos espaços urbanos e contribuir para a revitalização do Centro.
Campinas passará a contar com duas estruturas, Centro e Unimart, ampliando a capacidade de atendimento de uma cidade com mais de um milhão de habitantes.
É claro que a revitalização da área central depende de muito mais do que um equipamento público. Porém, a volta dos serviços públicos lá sinaliza que o poder público demorou, mas compreendeu, aquilo que a população já sabe: serviços essenciais precisam estar acessíveis a quem mais precisa deles.