República do 'Paredão': eleição ou espetáculo?
República do ‘Paredão’: eleição ou espetáculo?
A eleição de representantes para o governo do país, estado e município deveria ser um processo consciente, informado e estratégico. E é assim em muitas nações pelo mundo, mas não no Brasil. Aqui, o processo eleitoral está mais para um entretenimento barato (dos mais duvidosos) e período propício para se ganhar 'um extra'.
A cada ciclo eleitoral, o processo de escolha dos representantes se torna mais aleatório. As campanhas divulgadas são como espetáculos de um circo mal-ajambrado, pobre de argumentos, técnica, enredo, além de artistas mal preparados, que repetem sempre os mesmos números e tropeços. Já o eleitor, escolhe na véspera do pleito o candidato que mais lhe agrada, como quem busca um personagem televisivo que mais goste.
E a "fauna" é vasta. Tem candidato que saiu do ringue, do púlpito, da live e, porque não, da "casa mais vigiada do país". Sim, do mesmo lugar onde se disputa a liderança com provas de resistência e se resolve conflitos no confessionário, que também serve de "pré-campanha involuntária".
Ao longo dos anos, mais de 30 ex-participantes do Big Brother Brasil tentaram a sorte nas urnas, com resultados, digamos, menos empolgantes. Só dois conseguiram se eleger: Jean Wyllys (BBB 5, 2005) e Adrilles Jorge (BBB 15, 2015) - o que já é uma bizarrice, convenhamos...
A lista dos que tentaram dá quase um elenco de reprise: Babu Santana (BBB 20, 2020), Mara Viana (BBB 6, 2006), Diego Alemão (BBB 7, 2007), Maria Melilo (BBB 11, 2011). Todos, em algum momento, trocaram o paredão pelo palanque.
E não para por aí. Teve candidata com 111 votos; outro, com apenas algumas dezenas; gente que saiu com mais apoio do paredão do BBB do que da urna. O problema não é a origem, porque a democracia não exige currículo específico. Mas exige critério. E é aí que mora o perigo. O voto, muitas vezes, parece guiado mais pela fama do que pela capacidade do candidato.
No Brasil foi criada a figura do "puxador de votos". aquele que arrasta multidões pela notoriedade e não pela sua proposta. E o eleitor, embarca. Como se popularidade fosse sinônimo de preparo, e carisma substituísse o comprometimento de projetos e pautas demandadas.
No fim, a eleição vira um grande reality show, com torcida organizada, eliminação, reviravolta e, é claro, muita gente votando por impulso sem entender a seriedade do que está fazendo. E, talvez, esse seja o maior erro que cometemos. Enquanto tratarmos a política como 'espetáculo', continuaremos elegendo "personagens", quando o país precisa de representantes preparados.