Passageiro não pode esperar manobras de gabinete

Por

A mobilidade urbana de Campinas atravessa um momento crítico onde a paciência de quem depende do ônibus atingiu o limite absoluto, e a proposta enviada pela prefeitura à Câmara soa como um desrespeito direto ao cidadão, que enfrenta diariamente atrasos sistemáticos, veículos quebrados, frotas reduzidas e o perigo real de incêndios em unidades sucateadas.

O governo municipal apresentou um projeto de lei que abre brecha para estender a transição do sistema de transporte por até três anos, o que na prática pode empurrar a entrada efetiva das novas operadoras apenas para 2029.

É inaceitável que, após realizar o leilão e definir as empresas vencedoras para os lotes norte e sul, a prefeitura tente agora criar um colchão de segurança temporal, que beneficia justamente os atuais operadores, alvos de constantes reclamações da população.

A justificativa de uma transição segura perde sustentação diante dos registros históricos da própria cidade, visto que a última grande mudança contratual ocorrida há duas décadas foi concluída em cerca de sete meses, enquanto o cronograma original deste novo processo previa 90 dias para análise e 180 dias para a transição operacional.

Expandir esse prazo sem uma emergência técnica comprovada demonstra uma falta de urgência que ignora o sofrimento de quem perde horas nos pontos de ônibus ou viaja em condições precárias de higiene e segurança.

A prefeitura precisa ter a hombridade de assumir as responsabilidades do certame que ela mesma propôs e executou, garantindo que o Consórcio Grande Campinas e a empresa Sancetur assumam suas funções dentro do período razoável estipulado inicialmente.

Manter o status quo por meio de prorrogações sucessivas é condenar a cidade ao atraso tecnológico e operacional, uma vez que o sistema atual não atende à demanda crescente de uma metrópole que exige integração eficiência e respeito ao usuário. O argumento de que haverá cláusulas para encerrar a prorrogação, assim que as novas concessionárias estiverem aptas, é frágil, pois a existência da lei em si retira o incentivo político e administrativo para a agilidade do processo.

Os vereadores têm o dever de barrar essa extensão desmedida durante os debates e votações na Câmara sob o risco de se tornarem cúmplices de um sistema de transporte que sangra o bolso e o tempo do trabalhador campineiro. 

A prefeitura deve parar de buscar saídas jurídicas para adiar o inevitável e focar todos os esforços em fiscalizar a saída das empresas reprovadas pelo público e a entrada imediata de quem venceu a licitação com a promessa de melhoria.

A cidade não suporta mais três anos de paliativos e desculpas burocráticas enquanto o transporte público permanece em estado de calamidade operacional visível a qualquer um que se atreva a utilizar o serviço fora dos gabinetes climatizados do poder público.