Proteção à mulher deve ser cultural

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O enfrentamento à violência contra a mulher precisa deixar de ser tratado como um esforço episódico, ativado apenas em momentos simbólicos do calendário, para se consolidar como uma política permanente de Estado e um compromisso contínuo da sociedade. Os números divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública nas últimas semanas demonstram que, quando há mobilização institucional, integração entre órgãos e prioridade política, os resultados aparecem, e de forma expressiva.

Mais de 5,2 mil pessoas suspeitas de crimes relacionados à violência contra mulheres e meninas foram presas em operações coordenadas pelo governo federal. As ações ocorreram no âmbito da Operação Mulher Segura e da Operação Alerta Lilás, conduzidas em parceria com as secretarias estaduais de segurança pública e a Polícia Rodoviária Federal. Apenas a Operação Mulher Segura, realizada entre 19 de fevereiro e 5 de março, resultou em 4.936 prisões, sendo 3.199 em flagrante e 1.737 em cumprimento de mandados por descumprimento de medidas protetivas de urgência.

A dimensão da mobilização também chama atenção. Em apenas quinze dias, 38.564 agentes de segurança foram mobilizados em mais de dois mil municípios brasileiros, com apoio de quase 15 mil viaturas. Foram realizadas mais de 42 mil diligências, acompanhadas 18 mil medidas protetivas e atendidas mais de 24 mil vítimas. Esses números não apenas revelam a extensão do problema, como também evidenciam a capacidade de resposta do Estado quando a proteção das mulheres é tratada como prioridade.

No campo preventivo, a realização de 1.802 campanhas de conscientização que alcançaram cerca de 2,2 milhões de pessoas mostra que o combate à violência de gênero não se resume à repressão policial. Ele passa, necessariamente, por educação, mudança cultural e construção de uma sociedade que rejeite a violência em todas as suas formas.

Essas ações estão inseridas no Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, firmado em fevereiro de 2026 pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O pacto prevê medidas estruturais, como mutirões para cumprimento de mandados de prisão, ampliação da rede de acolhimento às vítimas, monitoramento mais ágil das medidas protetivas e a criação de centros integrados para análise de dados e planejamento de políticas públicas.

No entanto, a própria relevância dessas iniciativas traz um alerta: elas não podem se limitar a operações concentradas ou ganhar visibilidade apenas durante o mês de março.