CCBB traz mostra de cinema anticolonial para o Rio
Mostra fica em cartaz até o dia 16 de março
O CCBB Rio apresenta a mostra "O Cinema Anticolonial de Sarah Maldoror", dedicada a celebrar o legado e a estética revolucionária da cineasta. A abertura oficial aconteceu nesta quinta (19), com a primeira exibição na cidade da versão restaurada de "Sambizanga" (1972), obra-prima que retrata a resistência angolana contra a polícia secreta portuguesa.
O longa foi preservado pela Cineteca di Bologna e pela World Cinema Foundation, sob o incentivo de Martin Scorsese. Sua sessão inaugural contou com os comentários de Henda Ducados, filha da diretora, que compartilhou detalhes sobre a memória e o impacto humanitário da produção. A pesquisadora e professora Janaína Oliveira também marcou presença.
Sarah Maldoror (1929-2020) iniciou sua carreira dando visibilidade às lutas pela independência da África, especialmente próxima dos movimentos de libertação de Angola, da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. Sua obra compreende mais de quarenta filmes, entre ficções e documentários, curtas e longas-metragens. Maldoror se destaca, ainda, por utilizar a poética cinematográfica para narrar histórias revolucionárias de um ponto de vista humano, salientando o papel central das mulheres nos processos de emancipação.
Diferenciando-se de panoramas históricos anteriores, a mostra no CCBB RJ configura-se como a ocupação mais profunda e inédita da obra da cineasta no país, oferecendo ao público a oportunidade de mergulhar em uma filmografia que equilibra o rigor político com uma estética refinada, algo que a tornou referência para gerações de realizadores ao redor do mundo. A programação reúne 24 títulos - 14 de Sarah Maldoror e 10 de outros realizadores.
Produzido em 1972 e premiado no Festival de Berlim, "Sambizanga" é o longa-metragem mais popular de Sarah Maldoror, que acompanha um homem preso injustamente e torturado após ser suspeito de pertencer a um grupo revolucionário.
Sarah Maldoror deixou mais de quarenta realizações, além de outros quarenta projetos inacabados. Jamais filmado, o roteiro de "As garotinhas e a morte" ganha uma leitura dramática no dia 1º de março, dirigida pela cineasta baiana Safira Moreira. Dela, a mostra O cinema anticolonial de Sarah Maldoror também exibe "Cais" (2025), seu primeiro longa-metragem. A intenção é chamar atenção para paralelos entre o cinema de Sarah Maldoror e a obra de cineastas negras da América Latina.