Em temporal avisado, afunda quem quer

Em temporal avisado, afunda quem quer...

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Campinas, mais uma vez, em mais um ano, voltou a sofrer com os alagamentos das chuvas de verão que castigam a cidade e desesperam a população. Já dizia o antigo ditado popular: 'Em guerra avisada, morre quem quer', ou seja, sabendo sobre a recorrência de um fato, a falta de providência antecipada somente pode resultar no óbvio e já demonstrado em outros anos: ruas transformadas em piscinas e veículos em 'boias'. Desta vez, 21 veículos ficaram submersos na área do antigo Kartódromo, no Taquaral, após a tempestade do último dia 17. O episódio revela, mais uma vez, a mesmíssima falha de anos anteriores: a administração municipal é mais rápida em contabilizar o total de carros submersos do que prever e oferecer alternativas viáveis para evitar esta situação. A prefeitura declarou que, desde novembro do ano passado, está conduzindo um estudo técnico para implantar uma nova rede de drenagem no local. Ou seja, apenas começou a pensar em uma solução depois de meses de alertas reiterados, reclamações e alagamentos anteriores.

Contudo, a história do Taquaral enquanto 'ponto de inundação reiterado' não começou ontem. Há registros de interdições da via Dr. Heitor Penteado no mesmo cruzamento com o kartódromo em janeiro de 2025, quando fortes chuvas obrigaram a Emdec a bloquear o local para evitar que carros ficassem ilhados nas enxurradas. Antes disso, matérias jornalísticas já apontavam que trechos do entorno da avenida frequentemente alagavam durante os temporais, mesmo com volumes de chuva bem menores que o episódio mais recente, revelando que o problema é crônico, previsível e mapeado há anos. E não faltam iniciativas paliativas espalhadas por Campinas. No final de 2025, a administração instalou câmeras para "monitorar" as cheias na região do Taquaral, conectadas ao Centro de Controle Operacional. O que isso quer dizer na prática? É um ciclo. O serviço público instala câmeras, painéis e emite alertas quando a chuva começa. Os alagamentos são registrados, a Defesa Civil contabiliza ocorrências e, então, surge um estudo para soluções de dentro de uma cartola que deveriam ter sido realizadas há décadas. A administração reage depois que a corda arrebenta. Depois que o asfalto vira lagoa. O cidadão sabe. O motorista que tenta atravessar a Heitor Penteado no primeiro sinal de chuva também. Assim seguimos… A cada chuva forte, mais prejuízos, interdições, carros submersos… E a promessa de um dia, quem sabe, instalar a drenagem que deveria ter sido feita ontem.