Você prefere cardápio digital ou físico?
EDITORIAL
Você lembra da primeira vez que entrou em um restaurante, procurou o cardápio na mesa e encontrou apenas um QR Code? Talvez tenha sido prático. Talvez estranho. Em poucos anos, o cardápio digital deixou de ser novidade e virou regra em muitos estabelecimentos. Agora, o veto do governador Tarcísio de Freitas à obrigatoriedade de cardápios físicos reacende um debate que vai além da tecnologia: trata-se de acesso, escolha e inclusão.
É inegável que o formato digital traz benefícios, reduz o uso de papel, diminui custos de impressão, facilita atualizações de preços e pratos e está diretamente ligado a agenda ambiental. Em tempos de preocupação com sustentabilidade, menos papel significa menos árvores derrubadas e menos resíduos gerados. Para muitos consumidores, basta apontar o celular, acessar o menu e fazer o pedido.
Por outro lado, transformar essa opção em única alternativa levanta questionamentos importantes. Nem todo cliente tem smartphone, bateria disponível, pacote de dados ou familiaridade com tecnologia. Idosos, pessoas com deficiência visual, turistas sem internet ou mesmo quem prefere o simples ato de folhear um cardápio, acabam excluídos de uma experiência básica: escolher o que comer.
Além disso, há quem enxergue no digital uma barreira à hospitalidade. O cardápio físico faz parte do ritual do restaurante, da conversa à mesa, da descoberta dos pratos. Para alguns, olhar para uma tela quebra o clima da refeição. Para outros, é mais higiênico do que manusear um objeto que passa por muitas mãos. Justamente por isso, a imposição de um único modelo parece inadequada.
Surgem então as perguntas práticas. E se o cardápio físico deixa de ser obrigatório, o restaurante deve oferecer alternativas? Tablets na mesa? Atendimento verbal completo? Ou o cliente precisa ter um celular em mãos para consumir?
A tecnologia veio para ficar, o que é positivo. Mas modernizar não deveria significar excluir. O avanço digital faz sentido quando amplia possibilidades, não quando restringe escolhas. Assim como há quem prefira pagar com cartão, pix ou dinheiro, também deveria existir liberdade para escolher entre o cardápio impresso e o digital.
O debate, portanto, não é sobre ser contra a inovação, mas sobre como ela é implementada. Sustentabilidade é essencial, mas acessibilidade também é. O ideal parece estar no equilíbrio. No fim das contas, a boa experiência do consumidor passa por oferecer opções. Porque tecnologia deve servir às pessoas, e não o contrário.
