Formação médica em xeque
Os resultados do ENAMED 2025 lançam um alerta urgente sobre a qualidade da formação médica no Brasil. Nas regiões de Presidente Prudente, São José do Rio Preto e Bauru, cursos de Medicina apresentaram desempenho abaixo do esperado, registrando as notas mais baixas na avaliação nacional. Esse diagnóstico não pode ser visto como mera estatística, pois reflete problemas que vão muito além das salas de aula. O desempenho insatisfatório sugere que parte dos futuros médicos ainda não domina plenamente as competências essenciais para exercer a profissão com segurança, técnica e responsabilidade social.
A formação médica inadequada tem consequências diretas sobre a população. Cada profissional mal preparado que chega aos hospitais, postos de saúde ou consultórios aumenta o risco de erros, compromete a qualidade do atendimento e, em última instância, afeta vidas. Em regiões que já enfrentam desafios estruturais e limitações de recursos no sistema público de saúde, a presença de médicos com lacunas na formação agrava ainda mais os problemas. Avaliações nacionais, como o ENAMED, são um termômetro importante, mas não podem ser interpretadas apenas como números ou rankings; elas refletem a capacidade real das instituições de formar profissionais aptos a atender a sociedade.
As sanções previstas pelo Ministério da Educação, que incluem a redução de vagas ou a suspensão de novos ingressos em cursos com baixo desempenho, são necessárias, mas não suficientes. É fundamental que essas medidas sejam acompanhadas de ações concretas, como investimentos em infraestrutura acadêmica, capacitação contínua dos docentes, supervisão pedagógica eficaz e acompanhamento mais próximo do desempenho dos estudantes. Apenas assim será possível transformar resultados insatisfatórios em melhorias concretas na formação médica.
Mais do que corrigir rumos institucionais, os dados do ENAMED exigem uma reflexão mais profunda sobre o tipo de médico que a sociedade deseja formar. Queremos profissionais preocupados apenas em passar em exames ou médicos capazes de atuar com ética, empatia e competência em contextos complexos de saúde? A resposta a essa pergunta vai muito além do ambiente acadêmico. Ela determina não apenas o futuro das escolas médicas, mas a qualidade do atendimento e da vida de milhões de brasileiros que dependem de um sistema de saúde público eficiente e confiável.
É hora de transformar alertas em ações concretas. O momento exige compromisso, investimento e planejamento estratégico, para que a formação médica no país alcance excelência e esteja verdadeiramente alinhada às necessidades da população. Apenas com esse compromisso será possível garantir que os médicos de amanhã estejam preparados para enfrentar os desafios do presente e do futuro, e que a saúde da sociedade seja tratada com a seriedade e a competência que merece.
