Região de Campinas segue alta das exportações do País

Por Moara Semeghini - Campinas

Mesmo sob o impacto do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos, as exportações da Região Metropolitana de Campinas (RMC) cresceram 11,2% em 2025 e somaram US$ 5,45 bilhões. O desempenho, destacado pelo Correio da Manhã (p. 8), revela mais do que um dado conjuntural positivo: expõe a capacidade de adaptação de um polo econômico altamente industrializado diante de um cenário internacional adverso e marcado por tensões geopolíticas.

Os números da Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostram que o resultado foi o terceiro melhor da série histórica dos últimos 13 anos. A retração de 5,3% nas vendas da RMC aos Estados Unidos — principal efeito direto da sobretaxação — foi compensada por uma diversificação estratégica dos destinos. Alemanha, Argentina e Colômbia ampliaram significativamente suas compras, evidenciando uma reorientação comercial pragmática e bem-sucedida.

Esse movimento regional dialoga com o desempenho nacional. Em 2025, o Brasil bateu recorde histórico de exportações, alcançando US$ 349 bilhões, segundo dados do governo federal. O resultado reforça a resiliência do comércio exterior brasileiro, mesmo em um ambiente de juros elevados, protecionismo seletivo e reorganização das cadeias globais de produção.

É verdade que a balança comercial da RMC segue pressionada por um déficit expressivo, puxado pelo forte crescimento das importações. Mas há um dado qualitativo que não pode ser ignorado: boa parte dessas compras externas é composta por bens de capital, máquinas e insumos de alto valor agregado. Trata-se de um déficit que, embora pese no curto prazo, aponta para modernização produtiva e ganho de competitividade futura.

Os investimentos anunciados por multinacionais instaladas na região, especialmente em pesquisa, desenvolvimento e inovação, reforçam essa leitura. Campinas e seu entorno seguem atraindo capital produtivo, empregos qualificados e projetos de longo prazo, mesmo em um cenário global incerto.

Em uma linha de horizonte mais amplo, o empresariado brasileiro comemora o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia, visto como vetor de novas oportunidades comerciais e de integração econômica.

Diante disso, os dados da RMC não são apenas um retrato regional: são um sinal de que diversificação, inovação e estratégia seguem sendo as principais respostas possíveis aos choques externos. As perspectivas, apesar dos desafios, permanecem positivas.