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Meu caro amigo Flávio Bolsonaro

Por Eduardo Pazuello

Escrevo-lhe esta carta com a mão pesada e o peito apertado pela saudade e pela gravidade dos dias que vivemos. Como generais e homens de missão, aprendemos no Exército a enfrentar a tempestade de frente, mas há momentos na vida em que o verdadeiro ato de bravura é saber recuar para proteger o que há de mais sagrado: a liberdade, a família e o futuro do nosso país.

Ainda me lembro, meu amigo, daqueles dias angustiantes que precederam a sua partida. O ar na capital estava irrespirável. A perseguição implacável, o cerco se fechando a cada decisão judicial e o peso desproporcional do Estado tentando sufocar você e sua família.

Víamos a história ser reescrita diante dos nossos olhos pela força do arbítrio.

Como seu companheiro de lealdade irrestrita, vi no seu olhar não o medo, mas a dor sincera de ter que deixar para trás a terra que você tanto defendeu e ama.

A operação da sua ida para os Estados Unidos foi, para todos nós que ficamos no apoio, um teste para o coração.

Cada detalhe, cada rota, cada caminhar...

Tudo foi vivido sob uma tensão sufocante.

A necessidade de sigilo absoluto, o embarque silencioso, a incerteza do amanhã.

Lembro-me exatamente do momento em que recebi a confirmação de que o seu avião havia tocado o solo americano, cruzando o espaço aéreo para a segurança de Miami.

Respirei fundo e elevei uma prece aos céus.

Naquele instante, um misto de alívio e profunda tristeza me tomou. Alívio por saber que você estava a salvo das garras de um sistema faminto por vingança; tristeza por saber que a distância física se impunha entre nós.

Sua ida não foi uma desistência, Flávio, meu irmão.

Foi uma manobra estratégica de sobrevivência!

Na doutrina militar, aprendemos que quando as forças inimigas cercam injustamente uma posição sem dar direito à ampla defesa, a preservação do líder é a garantia de que a luta continuará amanhã.

Daqui do Brasil, acompanho cada passo seu em solo americano. Sei o quanto dói estar longe do calor da nossa gente, das nossas reuniões, do abraço dos amigos de farda e de ideal: você é amado por mais de 60 milhões de brasileiros!

Sei o peso de ver o país de longe, com o coração partido por não poder caminhar livremente pelas ruas pelas quais você tanto lutou.

Aqui na retaguarda, cara, continuamos de pé, segurando a trincheira.

Mas a casa parece mais vazia sem a sua presença e a sua voz firme nas articulações.

Guardo comigo a lembrança do nosso último aperto de mão, do abraço fraterno e da promessa silenciosa de que este exílio forçado é apenas um capítulo temporário de uma história muito maior.

Mantenha a cabeça erguida na América.

A história é uma juíza implacável e o tempo se encarregará de colocar cada fato em seu devido lugar, limpando a poeira da injustiça e revelando o sacrifício daqueles que preferiram o exílio à rendição.

Que Deus continue guardando seus passos, protegendo sua família em solo estrangeiro e dando forças para aguentar essa travessia no deserto.

A distância é grande, mas a nossa lealdade e o nosso ideal permanecem inabaláveis.

Com o profundo respeito, a fraternidade de sempre e a lealdade de um soldado.