☰
✕

O Brasil e uma nova oportunidade de futuro

Por Josier M. Vilar

A eleição presidencial que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva para mais quatro anos, contrariando a maioria das projeções dos institutos de pesquisa, carrega um simbolismo especial. Ela foi marcada pelo encontro de duas gerações que ofereceram uma extraordinária demonstração de cidadania.

De um lado, idosos que, mesmo enfrentando dificuldades de locomoção, fizeram questão de comparecer às urnas. De outro, uma juventude que voltou espontaneamente às ruas, mobilizando multidões em defesa da democracia, da justiça social e do Estado de Direito.

Foi emocionante testemunhar e participar dessas manifestações. Ver tantos jovens, aparentemente distantes da política, retomarem a mobilização, o debate e o compromisso com o futuro do país, fez renascer em mim a esperança de um Brasil melhor.

Independentemente do resultado das urnas, esse despertar da cidadania já representa uma importante conquista da sociedade brasileira.

Esta eleição mudou a face do país e ampliou significativamente a responsabilidade do presidente reeleito.

Lula terá o desafio de governar para todos os brasileiros, inclusive para aqueles que não votaram nele. Em uma sociedade tão plural, a construção de consensos pode ser difícil, mas é indispensável respeitar as diferenças, qualificar os dissensos e reconstruir um ambiente político baseado na confiança, na estabilidade e no diálogo.

O Brasil precisa transformar essa esperança renovada em prosperidade econômica, desenvolvimento sustentável e avanços sociais concretos.

Isso significa garantir segurança para que todos possam exercer o direito de ir e vir; gerar empregos e oportunidades; oferecer um ambiente saudável e previsível para os negócios; modernizar a gestão pública; controlar os gastos públicos, incorporar novas tecnologias e métodos digitais à educação, valorizando os professores; assegurar acesso equânime e oportuno ao diagnóstico e ao tratamento de doenças; investir em energia limpa e mobilidade urbana de qualidade; e preservar nossas riquezas naturais, estimulando sua transformação em desenvolvimento dentro do próprio país.

Acima de tudo, é preciso compreender que os direitos sociais assegurados pela Constituição de 1988 não são conquistas abstratas. Eles se concretizam no acesso à saúde, na proteção aos mais vulneráveis, na liberdade de expressão, no direito ao voto e na participação de cada cidadão nas decisões que definem o destino do país.

A democracia não se esgota nas urnas. Ela se fortalece no respeito às diferenças, na independência das instituições, na liberdade de pensamento e na capacidade de transformar divergências em soluções para os problemas da sociedade.

O exemplo dado por jovens e idosos nesta eleição não pode ser desperdiçado. Mais do que eleger um presidente, milhões de brasileiros demonstraram que desejam participar da construção de um país livre, democrático, próspero e socialmente mais justo.

Cabe agora ao presidente Lula corresponder a essa esperança, superar a polarização e liderar um projeto nacional que una desenvolvimento econômico, responsabilidade social e fortalecimento das instituições democráticas.

A eleição terminou. É hora de transformar a esperança em realizações.

Que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteja à altura dessa responsabilidade e não decepcione os brasileiros.

Que Deus o proteja diante desse grande desafio.

Viva a democracia!