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Brasil errou

Por Aristóteles Drummond

Definida a sucessão presidencial, pouca coisa vai mudar no Brasil nos próximos anos. E a escolha de ontem tinha poucas diferenças sobre o que realmente poderia interessar aos altos interesses nacionais.

O presidente Lula já tomou posse em campanha pela reeleição. Não dividiu o governo optando por cooptar deputados para ter maioria no Parlamento e distribuindo benesses e as tais emendas que acabaram crescendo tanto que não sobrou dinheiro para fazer nada. Assim, optou pelo endividamento do setor público, que deve desembocar agora em inflação, fruto dos déficits das contas públicas.

A oposição ligada a Bolsonaro, formada por gente, na sua maioria, despreparada, pouco acrescentou ao debate nacional; teve muita política, mas nenhum projeto econômico. Os ministros que deram a Bolsonaro um mandato positivo - como Paulo Guedes, da Economia, Tereza Cristina, da Agricultura e Pecuária, e Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura - ficaram em posição discreta por serem políticos e técnicos de postura mais austera.

Mas a crise na economia é prevista de tal tamanho que pode atrapalhar até o crescimento do país, que tem sido grande nas exportações de produtos primários.

Estamos com dívida alta, impostos altos, baixo consumo interno, falta de mão de obra qualificada e uma crise na segurança pública que já leva mais de quatro milhões de famílias a morarem fora. São pouco mais de dois milhões nos EUA, mais de meio milhão em Portugal, um milhão e meio no resto da Europa, mais de 500 na Argentina e Paraguai e até na Ásia.

Muitas empresas estão vendendo ativos no Brasil. Há crise na economia e na política, pois os conservadores terão ampla maioria no Parlamento. Na política internacional, existe a bobagem de brigar com o mais antigo e leal aliado do Brasil, que são os EUA. O país terá de esperar ou confiar no imponderável e imprevisível.Triste!