A destruição das capitais

Por Aristóteles Drummond

A desfiguração das principais cidades do Brasil, capitais em especial, se constitui em perigoso processo de sucateamento do país, com perda de qualidade de vida e afastando do turismo aos investidores estrangeiros.

Não é possível o silêncio das forças vivas da economia, política e da cultura diante da população de rua, que ocupa calçadas, praças. Intolerável a destruição de monumentos através do roubo de placas de metais para derretimento e venda, arruinando patrimônio artístico e histórico. Uma manifestação de abandono que se reflete no ambiente de investimentos na economia, geração de emprego e na dignidade da população.

Embora o fenômeno seja mundial, no Brasil está ganhando proporções maiores, inclusive por englobar a questão da segurança pública.

A atitude irresponsável das autoridades não tem justificativa nem amparo ético, moral, social ou cultural. A agressão à população como um todo e os tolerados moradores de rua são também vítimas da indiferença e insensibilidade dos que deveriam proteger os excluídos. Alguns são doentes mentais, outros alcoólatras ou dependentes químicos e outros tantos condenados que deveriam estar presos e não nas ruas.

Nestes tempos eleitorais, seria oportuna a cobrança a candidatos de uma postura justa e correta diante deste drama incompatível com uma sociedade que se propõe ser justa e ordeira.

Ocupar o centro histórico e do comércio e serviços com habitações pede responsabilidade. Apartamentos de 30 a 50 metros quadrados sem garagem podem gerar problemas no curto e médio prazo. E condomínios altos pedem garantia de recursos para manutenção de elevadores. A inadimplência faz parte da Cultura Nacional.