A caverna e a matrix
Em 375 a.C., Platão, filósofo grego, escreveu A REPÚBLICA. No livro VII, Sócrates dialoga com Gláucon sobre o famoso MITO DA CAVERNA. Mais de dois milênios depois, os irmãos Lana e Andy Wachowski produzem o filme THE MATRIX (1999). Neste artigo, manterei o foco na compreensão simbólica do mito e da matrix.
Na caverna, havia homens nascidos e agrilhoados, sentados de costas para a entrada do local onde há luuz, obrigados a contemplar a parede à frente deles. Atrás, havia uma fogueira servindo de iluminação. Entre eles e a fogueira, passavam pessoas conversando entre si e transportando objetos. Para tais homens presos, o mundo verdadeiro era composto pelas sombras das pessoas e objetos refletidos na parede e pelo eco de suas vozes. Essa era toda a realidade por eles conhecida.
Na Matrix, o protagonita está dividido entre duas realidades. Neo (novo em grego, anagrama de ONE, 1 em inglês) é Thomas Andersen, o homem na Matrix (caverna), conhecedor apenas do mundo composto por projeções do real. Quando fora da Matrix, Neo simboliza o homem novo, pleno e representativo de toda a humanidade.
Seu despertar começou quando resolveu ler SIMULACRA & SIMULATION, de Jean Baudrillard (1981). Essa obra existe e critica a realidade simulada imposta à sociedade mundial, semelhante ao filme THE TRUMAN SHOW (1998). Os simulacros representam algo que já não existe, ou inexistente e a simulação é a imitação da estrutura de um mundo real desenvolvida no tempo, é a projeção de uma realidade virtual.
A Caverna e a Matrix são simulações. Na Matrix, a realidade virtual é criada por máquinas inteligentes (IA), conectadas às mentes humanas, como forma de controle e de engenharia social. Assim, nós, e nossa mente, vivemos presos a um mundo simulado, à imitação da realidade, dentro da caverna. A palavra matrix significa local onde vidas humanas se originam e desenvolvem no tempo.
Conforme explica o personagem Morpheus, o simulacro é a realidade projetada diante de nosss olhos para nos cegar da verdade… somos escravos modernos. Nascemos no cativeiro… Vivemos presos na caverna. Simulacros, projeções, sombras, cópias, reflexos: tudo isso aprendido com nossos sentidos não é a realidade. Para Platão, a visão de sombras dentro da caverna é apenas um reflexo da verdade imutável e eterna. A verdade está na luz, se os homens da caverna fossem "libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância", libertar-se-iam da realidade onírica, e acordariam para a luz da verdade racional.
O problema é a resistência: tanto na obra platônica quanto no filme, muitos não acreditaram que a realidade estivesse fora da caverna; outros não suportaram viver na luz e retornaram para a ceverna; bem poucos aprenderam a lidar com a verdade e lutaram para revelá-la aos demais.
Em tempos de IA, de "verdades" manipuladas, de distorções da realidade, precisamos ficar acordados, bem despertos, e na luz da sabedoria real. É nacessário abandonar a caverna e sair da Matrix.