Judiciário na ordem do dia

Por Paulo César de Oliveira

Faltam poucos, pouquinhos mesmo, dias para as eleições. Mas o assunto principal, que ocupa a sociedade não é a escolha de quem vai comandar o país, os estados, nos próximos quatro anos. Hoje o tema de todas as conversas, dos noticiários, é o Judiciário que ao longo de nossa história foi discreto, palavra final de grandes crises e sustentáculo da democracia.

Hoje não se fala em eleição. O povo só fala em corrupção no Poder que puniu tantos corruptos, tantos antidemocratas, tantos bandidos desde que foi criado pela Constituição do Império em 1824, que instituiu o Supremo Tribunal de Justiça. É triste para qualquer cidadão que preza a democracia assistir a crise atual cujo fundo é essencialmente político.

Não há como negar que os fatos que vão surgindo a cada dia, envolvendo ministros do STF, são de extrema gravidade que exigem apurações e punições. O que se lamenta é que a crise envolvendo os seus ministros têm claramente fundo político. Buscam desmoralizar os ministros togados para recuperar imagem de políticos e auxiliares corruptos punidos por seus atos.

É fato que esta disputa tirou a cortina sobre a corrupção praticada em um Poder até então mais respeitado, mas também é fato que o objetivo desta guerra é trazer de volta à cena política corruptos dela afastados por decisão dos ministros togados hoje acusados. É preciso que a população saiba fazer a leitura dos fatos atuais.

Exigir, sim, punição para todas as "excelências" do Judiciário e do Executivo envolvidos nos fatos que vieram à tona agora, mas não se esquecer de precisa aproveitar as urnas para mudar e limpar os outros Poderes. Conscientizar-se de quem eleger agora em outubro terá a missão de iniciar uma profunda mudança no país.

A campanha eleitoral tem mostrado que uma boa escolha não será tarefa fácil. Há muito despreparo entre os que postulam alcançar ou manter um espaço na política brasileira. Todo cuidado na escolha é pouco. Mudar a política exige mudar os políticos.