Vacina é saúde, vacina é ciência
Este sábado (22 de agosto) será o Dia D de Multivacinação em todo o país. De acordo com o Ministério da Saúde, a ação integra a Campanha Nacional de Multivacinação, que segue até 1º de setembro. Para além da imunização, o artigo de hoje aborda a produção científica, as pesquisas e os estudos que, outrora questionados, continuam sendo impactados por publicações em redes sociais sem fundamento científico.
Para quem deseja se imunizar, serão disponibilizadas 20 vacinas do Calendário Nacional de Vacinação, que protegem contra doenças graves, como meningites, tuberculose e cânceres associados ao HPV. Até o momento, cerca de 180 milhões de doses foram distribuídas pelo país para a campanha.
Contudo, ao analisar os índices de vacinação, há motivos para preocupação. Um dos exemplos é o retorno de casos de sarampo ao território brasileiro, mais especificamente em São Paulo e no Rio de Janeiro neste ano. E por que os casos preocupam?
Após o último registro de transmissão endêmica, em 2015, o Brasil recebeu, em 2016, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a certificação de eliminação do sarampo. Em 2016 e 2017, não houve confirmação de casos no território nacional. A partir de 2018, porém, houve o retorno da circulação do vírus, associado, entre outros fatores, ao fluxo migratório e à redução das coberturas vacinais.
Em 2019, o Brasil perdeu a certificação após manter a transmissão do vírus do sarampo por mais de 12 meses. Entre 2018 e 2022, foram registrados mais de 39 mil casos da doença no país, com maior concentração em 2019.
A partir de 2021, houve queda no número de casos, chegando a 41 registros em 2022. Em 2023, não houve casos confirmados. Em 2024, foram confirmados cinco casos, sendo a maioria relacionada à importação ou a viagens internacionais. Em 2025, foram confirmados 38 casos no Brasil, distribuídos por diferentes estados.
Ou seja, a baixa cobertura vacinal é um dos fatores que ajudam a explicar o retorno e a circulação de doenças que podem ser prevenidas por meio da vacinação. E o problema não se limita ao sarampo. Outras doenças também apresentam coberturas abaixo das metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde.
É o caso da influenza. Segundo os dados apresentados pelo Ministério da Saúde, a cobertura está em 48,51% nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Na Região Norte, está em 48,39%. A meta é alcançar 90%.
Em um momento crucial para a saúde pública, a vacinação foi questionada no Brasil, considerada indiferente e até atacada. Ora, com que base? Com estudos? Com análises? Não. O processo de desenvolvimento e produção de uma vacina é extenso, envolve equipes especializadas, recursos, pesquisas, testes clínicos, avaliação e autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O achismo não pode prevalecer sobre a ciência. O posicionamento político também não deveria determinar aquilo que é comprovado cientificamente. E, em um período eleitoral como o que estamos vivendo, ressalto a necessidade de pesquisar sobre os candidatos, o que pensam e quais são suas propostas, inclusive para a saúde.
A saúde está entre as áreas que recebem grande volume de recursos públicos e possui impacto direto na vida da população. Por isso, discutir as propostas para o setor é fundamental.
A polarização política não pode, ou pelo menos, não deveria afetar questões científicas como a vacinação. Aliás, vale lembrar que os eleitos em outubro serão gestores públicos de todo o país, e não apenas representantes de um lado político. Por isso, a ciência precisa prevalecer.
Vacina é saúde. Vacina é prevenção. Vacina é ciência.