A soberania do Pix

Por Jolivaldo Freitas

É uma briga que nem precisava ser mas o sistema de pagamentos instantâneos Pix entrou no centro das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Como se não tivesse coisa melhor para fazer Donald Trump, sempre ele, citou o Pix dentre os argumentos para a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Claríssimo está que a medida está mais ligada à disputa por maior influência no sistema financeiro do planeta. Não estamos concorrendo com as bandeiras tipo Visa e Mastercard.

Como todos aqueles mais atentos sabem e nem precisa ser especialista em economia ou finanças, o Pix deu um plus inestimável para o setor financeiro brasileiro, fortalecendo e oferecendo autonomia ao país. Não temos mais que depender dos famigerados operadores alienígenas e além do mais estamos vendo a integração em todos os níveis da sociedade. Quase todo mundo sabe o que é o Pix.

Nós, hoje, temos um instrumento com cara de soberania e independência. O Pix é modelo desejado por dezenas de países e o Brasil já vem exportando seu modelo. Plataformas nacionais de pagamento reduzem a vulnerabilidade de países a sanções financeiras internacionais, uma vez que diminuem a dependência de redes controladas por empresas sediadas nos Estados Unidos garantem os especialistas.

O avanço desse modelo não se restringe ao Brasil. A União Europeia já anunciou o desenvolvimento do Euro Digital, previsto para entrar em fase piloto em 2027, reforçando uma tendência global de busca por maior autonomia nos sistemas de pagamentos eletrônicos. Enquanto isso os Estados Unidos estão a se morder de raiva sem vacina certa.