Por que temos dificuldade de pedir ajuda?

Por Victor Corrêa

Ninguém conta derrota. Nem eu, que escrevo este texto.

Às vezes, no entanto, é necessário dizer o que sentimos para aliviar um pouco aquele peso nas costas. A escuta já basta. Às vezes, queremos apenas falar até o fim e sentir que alguém está realmente ouvindo.

Cresci ouvindo que homem não chora. Sempre fiz o contrário. Por sorte, encontrei na minha mãe um lugar de afago. Era a ela que eu pedia ajuda. E ainda peço. Minha mãe é minha confidente. Nunca me fez sentir que eu estava incomodando.

Paraibana arretada, dona Valdete é uma excelente conselheira. Não raro, dou seu telefone a amigos que também precisam de alguém para conversar. Intuição de mãe costuma enxergar o que a gente ainda não consegue ver.

Nem todo mundo, porém, encontra com facilidade um lugar assim.

Conheço muita gente que prefere guardar para si o que sente. Alguns mudam de assunto. Outros dizem que está tudo bem antes mesmo que alguém pergunte. Não é falta de gente por perto. É falta de certeza de que serão ouvidos.

Pedir ajuda exige confiança. Quem fala se expõe. Entrega ao outro uma parte da vida que ainda está desorganizada. E corre o risco de receber uma resposta apressada, um julgamento ou um conselho que não pediu.

Talvez por isso tanta gente ensaie uma conversa várias vezes e desista antes de começar. A pessoa pega o telefone, escreve uma mensagem, apaga. Não quer preocupar, incomodar ou parecer fraca. Quando percebe, está tentando administrar sozinha algo que já se tornou grande demais.

Eu peço ajuda sempre que preciso. Mas coloco amigos e parentes em caixinhas de demandas. Se organizar direitinho, não sobrecarrego ninguém.

Sofrimento não segue cronograma. Há dias em que a mesma angústia volta. Há problemas que não se resolvem depois de uma conversa. E quem pede ajuda nem sempre precisa de uma frase nova. Pode precisar apenas de alguém que continue ali.

Às vezes, porém, mesmo esse alguém não é suficiente. Há dores que pedem mais do que boa vontade: pedem acompanhamento profissional.

Entre os homens, esse silêncio começa cedo. Aprende-se a suportar, esconder e seguir em frente. A fragilidade passa a ser tratada como defeito. Pedir ajuda, então, parece uma confissão de fracasso. Não por acaso, pesquisa do Instituto Cactus com a AtlasIntel mostrou que 65% dos homens afirmam não ter procurado ajuda profissional para lidar com a ansiedade.

Há ainda a questão do acesso. Psicoterapia não é como marcar um dentista. Onde procurar? Quanto custa? Tem no SUS? Para muita gente, essas perguntas ficam sem resposta — e o silêncio continua.

Faço terapia, ao todo, há 18 anos ininterruptos. Comigo, foi diferente, mas não fácil. Houve um momento em que eu precisava falar e não sabia com quem. Foi assim que cheguei à terapia. Encontrei Mônica no livrinho do plano de saúde — não existia consulta online naquela época.

Passei anos frequentando o Largo da Segunda-Feira, na Tijuca, onde ficava seu consultório. Foram dez anos como minha confidente profissional. Depois dela, busquei outros psicólogos, mas nunca fiquei sem essa ferramenta.

O que ela me deu não foi apenas um espaço para falar. Foi a capacidade de me escutar, de me entender, de me conhecer.

Nem toda pessoa vai acolher a nossa dor. Algumas não se dispõem a ocupar esse lugar. Outras até querem ajudar, mas não percebem que, às vezes, acolher é apenas escutar. E escutar é uma arte.

Lembrei de uma amiga, a Lohana, que escutava também com o olhar. Seus olhos, muito azuis, me olhavam como se ao mesmo tempo pegassem minhas duas mãos. Coisa de afeto.

A pergunta que dá título a este texto tem várias respostas. Mas quando alguém escuta de verdade, a resposta deixa de importar.